terça-feira, 8 de novembro de 2022

"jornada Nacional de Luta pela Moradia - Campanha Despejo Zero!

 Jornada Nacional de Luta pela Moradia. Fonte: Campanha Despejo Zero


:

Por Gilvander Moreira

"Dia 31 de outubro último (2022) venceu o prazo da ADPF 828 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental da Constituição), do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia despejos no país no campo e na cidade, em ocupações coletivas e em casos de inquilinos individuais durante a pandemia. Os partidos PSOL e PT, RENAP e Terra de Direitos, e dezenas de outras Organizações de Direitos Humanos pleitearam pela 4ª vez “a extensão do prazo da medida liminar concedida até que advenha o julgamento de mérito da ADPF 828, ou por mais 6 (seis) meses ou até que cessem os efeitos sociais e econômicos da Pandemia da covid-19 e, deste modo, continuem sendo e/ou sejam suspensos todos os processos, procedimentos ou qualquer outro meio que vise a expedição de medidas judiciais, administrativas ou extrajudiciais de remoção e/ou desocupação, reintegrações de posse ou despejos de famílias vulneráveis, enquanto perdurarem os efeitos sanitários, sociais e econômicos da Covid-19.” O ministro do STF Luis Roberto Barroso não estendeu o prazo da ADPF 828. Entretanto, o ministro Barroso determinou um Regime de Transição para que, “de forma gradual e escalonada”, “para não geral convulsão social”, se retome o cumprimento de reintegrações de posse, mas com a condição de que seja garantido alternativa digna, adequada e prévia para todas as famílias das ocupações para que o direito à moradia seja garantido, conforme prescreve a Constituição Federal de 1988.


A brutal injustiça agrária no Brasil, que concentra 50% da terra nas mãos de apenas 2% de pessoas ou empresas, tem impulsionado um imenso êxodo rural nos últimos cinquenta anos e gerado uma dramática injustiça urbana, que leva à existência atual de um altíssimo déficit habitacional no país, com mais de 6 milhões de famílias sem moradia no Brasil e sendo que mais da metade da população de 215 milhões de pessoas vive em condições inadequadas de moradia, e 52%, segundo dados de 2019, pagam aluguel acima de 30% de sua renda. Nos últimos quatro anos, com o empobrecimento das famílias, durante o desgoverno do inominável, aumentou-se o número e a quantidade de favelas nas cidades médias e grandes do Brasil. Pesquisa realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2021 revelou que 31% das pessoas estão na rua há menos de um ano, sendo 64% por perda de trabalho, moradia ou renda. Destes, 42,8% afirmaram que, se tivessem um emprego, sairiam das ruas.


Pesquisa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG) revelou que, em 2019, eram 174.766 pessoas em situação de rua no país, enquanto, em setembro de 2022, o número saltou para 213.371[5]. A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (PENSSAN), registra o avanço da fome: são 15,5% de domicílios com pessoas passando fome, o que corresponde a 33,1 milhões de pessoas.

Estão em ocupações famílias inteiras, pessoas desempregadas que, para não irem para as ruas, ocuparam terrenos e prédios abandonados, que não cumpriam sua função social. Cerca de 75% de quase um milhão de pessoas ameaçadas de despejo são mulheres, crianças e idosos; são pessoas que não suportam mais a pesadíssima cruz do aluguel ou a humilhação que é sobreviver de favor nas costas de parentes ou ainda sobreviver nas ruas.

STF proíbe despejo sem alternativa adequada e prévia

Foi imprescindível e vital a decisão do STF de suspender os despejos durante a pandemia da covid-19. O STF acolheu reivindicação da Plataforma Despejo Zero, Campanha Nacional por Despejo Zero, integrada por 175 Movimentos Sociais Populares e Organizações de defesa dos Direitos Humanos. Se a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica era ficar em casa para evitar pegar covid-19, teria sido um massacre brutal empurrar para as ruas cerca de 500 mil famílias, cerca de 2 milhões de pessoas, que estão em ocupações no campo e na cidade no país. Atualmente, segundo levantamento da Plataforma Despejo Zero, se tivesse simplesmente terminado a ADPF 828, a que proibiu os despejos até 31/10/2022, cerca de 200 mil famílias, ou seja, quase 1 milhão de pessoas, seriam despejadas imediatamente e jogadas na rua.


Entretanto, após adiar por três vezes a proibição de despejos durante a pandemia, exceto os ministros bolsonaristas Nunes Marques e André Mendonça, nove ministros do STF, dia 02/11/22, confirmaram a decisão do ministro Luís Barroso que determinou um Regime de Transição para os tribunais lidarem com as Ocupações coletivas que estão sob decisões judiciais de reintegração de posse. Segundo o Regime de Transição determinado pelo STF, os tribunais estaduais e regionais federais devem criar imediatamente Comissões de Conflitos Fundiários para mediar os conflitos que envolvem todas as famílias em ocupações que estão sob decisão judicial que manda despejar quem está em ocupações. 


As Comissões devem ser permanentes e ter a presença permanente de órgãos públicos municipais, estaduais e federais de habitação, regularização fundiária, assistência social, saúde e de proteção de direitos de vulneráveis (ex.: conselho tutelar), além da Defensoria Pública e do Ministério Público. E devem ter como referência o modelo bem-sucedido adotado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná”, definiu o STF. Diz a decisão do STF: “As Comissões de Conflitos Fundiários devem fazer visitas técnicas, audiências de mediação e, principalmente, propor a estratégia de retomada da execução de decisões suspensas pela presente ação, de maneira gradual e escalonada”.

As Comissões têm o “objetivo de mediar conflitos fundiários de natureza coletiva, rurais ou urbanos, de modo a evitar o uso da força pública no cumprimento de mandados de reintegração de posse ou de despejo e (r)estabelecer o diálogo entre as partes”. Frise-se que a decisão do STF exclui o uso da força pública (de polícia) na execução do despejo. Ou seja, as Comissões de Conflitos fundiários dos Tribunais devem ser exitosas na construção de justa mediação de forma que garanta o direito à moradia. Logo, as Comissões não poderão ser “só proforma” e encaminhar despejo após sua atuação. “As Comissões poderão atuar em qualquer fase do litígio, inclusive antes da instauração do processo judicial ou após o seu trânsito em julgado”, diz a decisão do STF. 


As Comissões deverão ainda “atuar na interlocução com o juízo no qual tramita a ação judicial, interagir com as Comissões de Conflitos Fundiários instituídas no âmbito de outros poderes e órgãos, como o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa, o Ministério Público, a Defensoria Pública etc.” “Nos casos judicializados, as Comissões funcionarão como órgão auxiliar do juiz da causa.” A decisão do STF enfatiza ainda: “Os juízes devem ponderar os impactos sociais da execução das reintegrações de posse e atuar, nos limites da sua jurisdição, a fim de evitar ao máximo a violação de direitos fundamentais.”  

Na decisão do STF o ministro Luis Barroso enfatiza: “Volto a registrar que a retomada das reintegrações de posse deve se dar de forma responsável, cautelosa e com respeito aos direitos fundamentais em jogo, ou seja, apenas quando se comprovar realmente que é justa a decisão de reintegração de posse e após se arrumar alternativa digna, prévia e adequada de moradia, se faculta a realização de despejo. Despejo forçado, jamais, pois violenta os direitos fundamentais da pessoa humana assegurados na Constituição de 1988.


Das alternativas dignas e prévias que abram espaço para despejo precisam estar excluídos como suficientes o cadastramento pelo poder público municipal e inclusão em fila de espera da moradia, o envio para abrigos públicos, por serem insalubres, inadequados e com rígidas restrições à liberdade das pessoas, e o pagamento de auxílio aluguel, (auxílio moradia), por ser migalha super contraditória: a) o valor é insuficiente, só uns 30% do que se precisa para alugar moradia digna; b) Em muitos casos, as prefeituras param de pagar após alguns meses; c) Hiperinflaciona os aluguéis na cidade; 4) Desresponsabiliza o prefeito, o governador e o presidente sobre a necessidade de implementar política pública de moradia efetiva para todo o povo, o que joga novamente as pessoas nas ruas ou as forçam a fazer outras ocupações. 

O STF determinou respeito à dignidade humana e que em casos de decisões administrativas que exijam despejo de pessoas vulneráveis “não pode haver a separação das pessoas do núcleo familiar” em caso de oferecimento de abrigamento público ou outras moradias dignas. O justo e constitucional é proibir definitivamente despejo de ocupações onde se comprove que a propriedade estava ociosa, abandonada e sem cumprir a função social, pois as ocupações coletivas por necessidade são uma forma de pressão constitucional assegurada por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em jurisprudência da lavra do ex-ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, para que se cumpra o direito à terra e à moradia, assegurado na Constituição. Contudo, a decisão do STF é um passo importante, uma opção ética e responsável para lidar com a injustiça agrária e urbana que causa as ocupações e de como resolvê-las de forma justa, ética e pacífica. É imprescindível que o juízo de um conflito fundiário urbano ou rural verifique pontos como a existência de título válido por quem demanda a desocupação e o cumprimento da função social do imóvel por seu titular.



Em Minas Gerais, a decisão do STF, acima referida, na prática, exige o fortalecimento e a ampliação da autonomia da Mesa de Negociação do Governo de MG com as Ocupações e do CEJUSC (Central de Conciliação do TJMG) que deverão lidar de forma responsável socialmente com todos os conflitos urbanos e camponeses. 

Esperamos sensatez, espírito ético e republicano dos tribunais no cumprimento da decisão do STF. Por isso, todos nós dos Movimentos Sociais e todo o povo das Ocupações seguiremos lutando. Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito e o direito à moradia precisa ser garantido. Todo despejo é desumano e brutal, pois destrói moradias, histórias, sonhos e mata de muitas formas as pessoas. Viva a luta por acesso à terra e à moradia!  


O STF determina que sejam seguidas as Resoluções n.º 10/2018 e n.17/2021 do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e a Resolução nº 90/2021 do Conselho Nacional de Justiça, que “recomenda aos órgãos do Poder Judiciário a adoção de cautelas quando da solução de conflitos que versem sobre a desocupação coletiva de imóveis urbanos e rurais durante o período da pandemia do Coronavírus (Covid-19).” Portanto, seguiremos lutando para que o Congresso Nacional aprove lei no sentido de adequar a política fundiária e habitacional do país que garantam justiça agrária e urbana. É injustiça voltar a despejar desconsiderando a análise da função social da propriedade e sem alternativa adequada e prévia. Uma leitura atenta da decisão do STF conclui que fica proibido despejo sem alternativa adequada e prévia.


Fonte: frei Gilvander Moreira, CPT - Comissão Pastoral da Terra e CPH - Comissão pelos Direitos Humanos

Frei Gilvander Moreira

Frei Gilvander Moreira  escreve para o Jornal

O Guardião da Montanha, às terças-feiras.

Frei e padre da Ordem dos carmelitas; 
doutor em Educação pela FAE/UFMG; 
licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; agente e assessor da CPT/MG, assessor do CEBI e Ocupações Urbanas; prof. de Teologia bíblica no SAB (Serviço de Animação Bíblica), em Belo Horizonte, MG   

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Roda Viva | Hélio Santos | 07/11/2022

Fonte: Roda Viva, TV Cultura, SP

"O Roda Viva recebe o escritor, professor e ativista Hélio Santos nesta segunda-feira (7).

Doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP), foi precursor do sistema de cotas para negros nas universidades nos anos 90. A lei, implantada no governo de Dilma Rousseff (PT), completou dez anos em 2022, mas ainda é polêmica e será tema de discussão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Há 20 anos, quando publicou o livro ‘A busca de um caminho para o Brasil: A trilha do círculo vicioso’, esteve no centro do programa. Agora, ele acaba de lançar a coletânea ‘A resistência negra ao projeto de exclusão social - Brasil 200 anos’. São 33 textos de autores negros e negras como Sueli Carneiro, Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, Kabengele Munanga, Djamila Ribeiro e Michael França."
O Roda Viva contará com uma bancada de entrevistadores formada por Afra Balazina, da Fundação SOS Mata Atlântica; Catia Seabra, repórter especial da Folha de S. Paulo; Cristiane Agostine, repórter de política do jornal Valor Econômico; Rodrigo Piscitelli, repórter da TV Cultura; e Sérgio Roxo, repórter da sucursal de São Paulo do jornal O Globo.
A apresentação é de Vera Magalhães.

Fonte: TV Cultura, SP

Jornal da Cultura | 07/11/2022 - Profissionais liberais são boicotados pelos bolsonaristas. Plástico prejudica a natureza

Fonte: Jornal da Cultura, TV Cultura, SP

"No Jornal da Cultura desta segunda-feira, você vai ver: Lula (PT) passa o dia em reuniões em São Paulo para discutir principais pautas do governo de transição; parlamentares participam em peso, em plena segunda-feira, de cerimônia que deu ao piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton o título inédito de cidadão honorário brasileiro; manifestantes bolsonaristas atacam policiais rodoviários no Pará e em Santa Catarina; Ministério Público Federal apura se houve ação política em eventual omissão de policiais nas paralisações; e nova subvariante da Ômicron pode ser a causa do aumento recente de casos Covid-19 no Brasil."
Para comentar essas e outras notícias, Karyn Bravo recebe o empresário Emerson Kapaz e o médico patologista Paulo Saldiva
#JornaldaCultura

"Bolsonaristas convocam greve para segunda e caminhoneiros dizem que não organizam atos"

 "Bolsonaristas convocam greve para segunda e caminhoneiros dizem que não organizam
atos"
Por FERNANDA BRIGATTI E CLAYTON CASTELANI, Folha de S. Paulo

"Bolsonaristas que estão nas manifestações antidemocráticas iniciadas no domingo (30) começaram a convocar para segunda (7) uma possível "greve geral", em que pedem adesão de empresários.

Um convite para o movimento com ares de locaute (greve de empresas, hoje proibida pela legislação) passou a circular em redes sociais e nos grupos de WhatsApp e de Telegram de pessoas envolvidas com as manifestações.

Na noite deste domingo (6), porém, balanço da PRF (Polícia Rodoviária Federal) aponta que os atos antidemocráticos estão chegando praticamente ao final nas estradas, com apenas dois pontos de bloqueio parcial em rodovias do país. O estado de Rondônia voltou a registrar uma interdição em rodovias federais por manifestantes neste domingo. As interdições ocorrem em Vilhena (RO) e Altamira (PA). A PRF já acabou com mais de mil bloqueios desde o último domingo (30).

Nesses grupos, vem sendo amplamente divulgada a mentira de que há comprovação ou fortes indícios de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha sido obtida mediante fraude eleitoral.

Inicialmente espalhadas por rodovias em diversos estados, as manifestações passaram a se concentrar em frente aos comandos do Exército nas cidades, onde bolsonaristas inconformados com os resultados das urnas pedem "intervenção federal" e "intervenção militar". Neste domingo (6), manifestantes que estavam em frente ao Quartel Geral do Exército, em Brasília, falavam sobre a possibilidade de uma greve geral. Havia apenas uma centena de participantes no local.

Segundo as mensagens, a organização estaria sendo feita pelo MNRC (Movimento Nacional de Resistência Civil), grupo que pede a impugnação das eleições e a destituição de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Feche sua empresa, indústria, fábrica e comércio e vamos lutar contra a instalação do comunismo", diz o convite distribuído nesta sexta.

REPRESENTANTES DE CAMINHONEIROS DIZEM QUE NÃO ORGANIZAM ATOS

Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), disse que vídeos antigos, sobre as manifestações de 7 de Setembro, voltaram a circular para propositalmente confundir as pessoas sobre uma nova manifestação nesta segunda (7) e, devido à grande circulação entre os grupos de caminhoneiros desse material, ele espera paralisações em todos os estados da região Sul. "São vídeos antigos, mas qualquer motivo é suficiente para inflamar uma minoria que não aceitou o resultado da eleição", disse.

"Chorão" faz um pedido a categoria dos caminhoneiros

Wallace Landim, o Chorão, também afirma que vídeos antigos, do 7 de setembro, estão sendo reaproveitados para inflamar manifestações que não têm qualquer organização de grupos ligados a caminhoneiros. Ele diz que o que se "vê são atos organizados junto a empresas nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso" e que "90% dos caminhões de empresas que aparecem nos vídeos são ligadas ao agro".

Ele disse estar triste em ver que empresários, políticos e outros apoiadores de Bolsonaro estão usando "o nome do movimento dos caminhoneiros, por causa da força que a gente tem, para promover atos antidemocráticos", comentou. "O que estamos vendo é um risco de locaute".

A ABTTC (Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Transportadoras de Contêineres) informou não ter recebido notificações sobre eventuais paralisações nesta segunda (7) e está se planejando para um dia normal de trabalho.

Daniel Reis de Paula, o Queixada, presidente da associação de caminhoneiros em Oliveira-MG, diz que não há participação organizada de caminhoneiros em qualquer protesto previsto para amanhã. "Não tem nada a ver com caminhoneiros isso", diz.

Chorão, Queixada e Dahmer mencionaram que, de algum modo, as paralisações estão sendo promovidas ou apoiadas por empresários e fazendeiros, que fornecem alimentos para manifestantes, param caminhões de suas frotas nas estradas e até mesmo despejam entulho e terra em alguns trechos.

ENTIDADES EMPRESARIAIS VEEM MOVIMENTOS LOCALIZADOS

Entidades empresariais e sindicatos patronais ouvidos pela Folha de S.Paulo disseram não ter conhecimento de adesão à convocação. Não está descartado, porém, que individualmente donos de comércios e fábricas decidam pela paralisação, mas, até sexta a percepção era de que não havia clima para um locaute.

Na última semana, dezenas de empresas em Sinop (MT) anunciaram, na terça (1º), que fechariam as portas mais cedo para aderir às manifestações contrárias ao resultado das eleições.

Na quinta (3), a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Canoinhas, em Santa Catarina -estado que, ao lado de Mato Grosso, concentrou o número de bloqueios de estradas e rodovias- divulgou um comunicado em que convoca os comerciantes "que compartilham do mesmo ideal" a participarem do que chamaram de "movimento democrático".

No comunicado, assinado pelo presidente da entidade, Cirineu Novak, o CDL recomenda que "caso não queiram fechar seus comércios", que perguntem aos funcionários se ele querem participaram do movimento e que façam o revezamento de pessoal.

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina também divulgou posicionamento em rede social, no qual disse apenas que reconhece o direito de as pessoas expressarem seu descontentamento, desde que isso não viole o direito de ir e vir nem afete o desenvolvimento econômico.

Segundo a procuradora regional do trabalho Adriane Reis de Araújo, da Coordigualdade (coordenadoria de promoção da igualdade no trabalho), já começam a chegar ao MPT (Ministério Público do Trabalho) denúncias de empresas encaminhando trabalhadores para protestos.

Se a empresa quiser fechar as portas e dispensar seus empregados no dia de um ato, por exemplo, ela pode, mas não pode obrigá-los a participar de quaisquer ações.

Entidades nacionais, como CNI (Confederação Nacional da Indústria) se manifestaram contrárias aos protestos.

A CNI afirmou que é "veementemente contrária a qualquer manifestação antidemocrática que prejudique o país e sua população".

Fonte: Folha de S. Paulo

Nova onda da Covid-19, traz aumento de casos.

Volte a usar máscaras em lugares públicos fechados

"É preciso reforçar a estratégia da vacina", diz infectologia do Hospital Emílio Ribas, SP


A Covid-19 não dá trégua

Fonte: globonews

Ato Público em Mariana, MG: Sete anos de crime continuado da Samarco, Va...

Fonte: frei Gilvander Moreira

"Ato Público e Marcha em Mariana, MG: Sete anos de crime continuado da Samarco, Vale e BHP, a partir de Bento Rodrigues. Cadê a justiça? Impunidade até quando? Vídeo 2 – 05/11/22

Filmagem, Edição e Divulgação: Frei Gilvander Moreira, da CPT, do CEBI, do SAB e da assessoria de Ocupações e Movimentos Populares, em Minas Gerais.
Acompanhe a luta pela terra e por Direitos também via www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com www.cebimg.org.br - www.cptmg.org.br - www.cptminas.blogspot.com.br

Todos os vídeos, músicas e imagens utilizados no vídeo pertencem aos seus respectivos proprietários."

Fonte: frei Gilvander Moreira

"COP 27 começou neste domingo com expectativa por participação do futuro governo Lula; veja o que esperar"

No Egito com a presença do Presidente Lula representando o Brasil - Foto: Sayed  Sheasha/Reuters
"O g1 lista os pontos-chave da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece em Sharm el-Sheikh, no Egito."

Por Roberto Peixoto, g1

Fonte: globonews

"A 27ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 27, começa neste domingo (6) em Sharm El Sheikh, no Egito.

O evento deve durar cerca de duas semanas e tem um peso fundamental para ação climática global frente as mudanças climáticas. Por isso, cerca de noventa chefes de estado estarão presentes.

Um dos pontos de expectativa é sobre qual será a participação do futuro governo Lula no evento. O presidente eleito foi convidado e uma comitiva é aguardada no Egito. 

Mas o que é de fato a COP, qual a sua importância e o que será discutido na cúpula desse ano?

Abaixo, nesta reportagem, você vai ver:

1-O que é a COP 27?

  1. 2-O que deve ser discutido na COP 27?

  2. 3-Quem deve participar da COP 27?

  3. 4-Qual a importância da COP 27 ser realizada no Egito?

  4. 5-Como a Guerra na Ucrânia afetará a COP 27?

  5. 6-Quais resultados são esperados da COP 27?

O que é a COP 27? 


A COP 27 é 27ª conferência do clima da ONU, um evento que reúne governos do mundo inteiro, diplomatas, cientistas, membros da sociedade civil e diversas entidades privadas com o objetivo de debater e buscar soluções para a crise climática causada pelo homem.


A conferência vem sendo realizada anualmente desde 1995 (exceto em 2020, por causa da pandemia) e o termo COP é uma sigla em inglês que quer dizer "Conferência das Partes", uma referência às 197 nações que concordaram com um pacto ambiental da ONU do início da década de 1990.

O tratado, chamado de Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), tem como principal objetivo estabilizar a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e, assim, combater a ameaça humana ao sistema climático da Terra.

O que deve ser discutido na COP 27?


Neste ano, embora diversos temas estejam na mesa, os principais que rondam as negociações são os seguintes: financiamento, mitigação, adaptação climática e perdas e danos. Veja a seguir uma explicação para cada.

  • Mitigação - como diminuir emissões de gases de efeito estufa

Na COP 27, todos os países reunidos devem adotar um “programa de trabalho para aumentar urgentemente a ambição e a implementação de mitigação”, como são chamados os esforços para reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e, assim, limitar o aquecimento bem abaixo de 2°C


Esse será um dos temas centrais do evento, que deve discutir como isso vai ser implementado e o que cada país está fazendo. Como a própria ONU afirmou que os planos atuais não são suficientes para evitar esse aquecimento “catastrófico” até 2030, há uma expectativa de que os países signatários do Pacto de Glasgow para o clima (o resultado formal da última COP) revisem seus planos climáticos.

"Essa é uma parte bastante técnica, uma parte de negociação. É quando a gente vê diplomatas fazendo as métricas de que um país realmente está fazendo, se ele está enrolando ou se ele está fora da curva de redução que ele prometeu", explica Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

"E tudo isso serve para colocar um pouco mais de pressão nas Partes, para não deixar solto os cortes das NDCs [sigla em inglês quer dizer contribuições nacionalmente determinadas, as metas climáticas dos países]".

Uma manifestante segura um cartaz com os dizeres: "Não existe vacina contra o aquecimento global", durante a Marcha pelo Clima, em Nantes, neste domingo (9) — Foto: Sebastien Salom-Gomis

  • Adaptação – como se preparar para a mudança do clima

Um outro tema importante este ano é o da adaptação, ou seja, como buscar ferramentas e soluções para reduzir nossa fragilidade frente à crise climática.

Como o aquecimento global tem efeitos diferentes no mundo, causando secas em alguns lugares, cheias em outros, na prática, isso diz respeito as respostas efetivas a esses problemas, como por exemplo, projetos de barragens marítimas para conter o aumento do nível do mar, ações de preparo para uma temporada de seca mais longa e intensa na Amazônia, etc.

E isso é algo que, historicamente, vem recebendo menos financiamento globalmente. Nessa COP, é esperado que os países reavaliem seus compromissos nacionais de adaptação.


O termo então que é usado então nas negociações da COP é o chamado “perdas e danos”, em referência aos estragos destrutivos que esses países não podem prevenir ou se adaptar com seus atuais recursos.

"Quando a gente fala de adaptação estamos falando em reduzir os impactos, quando a gente fala de mitigação estamos falando de reduzir emissões. Já perdas e danos diz respeito aos efeitos das mudanças climáticas que já ocorreram", explica Renata Amaral, sócia e líder da prática de Meio-ambiente, Consumidor e Sustentabilidade Trench Rossi Watanabe.

Embora essa não seja uma discussão recente, o debate sobre esse tipo de financiamento deve ganhar força esse ano.

Ministro de Tuvalu grava vídeo de dentro do mar para ser exibido na COP26. — Foto: Governo de Tuvalu/Redes sociais

  • Financiamento climático – uma promessa já descumprida

Mais uma vez, o financiamento vai ser um tema de destaque este ano -e não somente por causa das perdas e danos.

Como parte do Acordo de Paris, os países desenvolvidos prometeram aos países em desenvolvimento dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para ajudá-los a se preparar para as mudanças climáticas.

"E de 2019 pra cá o debate sobre financiamento ficou mais intenso por causa da volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris", avalia Astrini.

Apesar disso, esse é meta não vendo sendo cumprida e, por isso, há uma expectativa de que as negociações da COP 27 selem o que pode ser feito.

Quem deve participar da COP 27?


Mais de 190 países participarão da cúpula, incluindo o Brasil.

Cerca de 90 chefes de estado confirmaram sua presença, porém, alguns líderes mundiais não devem comparecer ao evento, enviando representantes do seu governo, como Vladmir Putin, presidente da Rússia.

Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, confirmou sua presença, assim como o premiê britânico, Rishi Sunak, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

O presidente Jair Bolsonaro, contudo, ainda não se manifestou. O g1 questionou o Palácio do Planalto sobre a ida do presidente, mas ainda não obteve resposta.

A expectativa, porém, é de que o presidente eleito Lula vá ao evento junto de uma comissão, que deve se reunir ao estande do Consórcio de Governadores da Amazônia Legal do Brasil em Sharm el-Sheikh.

Qual a simbologia de a COP 27 ser no Egito?



“O Egito é uma escolha claramente ruim para sediar a COP 27 e recompensa o governo repressivo do presidente al-Sisi, apesar dos abusos terríveis de seu governo”, disse em um comunicado Joe Stork, vice-diretor do Oriente Médio da Human Rights Watch, logo após o final da COP de 2021.

Por outro lado, especialistas acreditam que a realização da cúpula em Sharm El Sheikh pode chamar atenção para os principais problemas climáticos e sociais que afligem o continente africano.

Apesar de sua baixa contribuição para as emissões de gases de efeito estufa, a África é considerada um dos continentes mais vulneráveis às mudanças climáticas.


Como a Guerra na Ucrânia afetará a COP 27?


Em represália a resposta de países europeus à invasão na Ucrânia, durante os últimos meses, a Rússia gradualmente diminuiu seu fornecimento de gás para a Europa.

Os russos forneciam 40% do gás usado na Europa antes da guerra na Ucrânia. Por isso, para compensar o corte no fornecimento do gás, diversos países europeus ampliaram o uso de fontes de carvão, um dos principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

Gasodutos em uma estação na Alemanha, que é altamente dependente do gás russo. — Foto: Hannibal Hanschk/ Reuters

Apesar disso, a Agência Internacional de Energia acredita que que a crise de energia desencadeada pela guerra na Ucrânia deve acelerar a transição energética de diversos países por causa do aumento de investimentos em energias renováveis.

Aliado a isso, Astrini acredita que esse movimento que ele classifica como momentâneo e emergencial de virada para energias mais poluentes não vai ser um tema central de discussão da cúpula.

“A gente sempre teve COP com guerras acontecendo, mas o problema é que esta guerra está colocando em choque os Estados Unidos e a China, e o acordo de Paris só existe por causa dessas duas potências”, avalia o pesquisador.

“Esses dois países entram em uma rota de colisão que ameaça as negociações de uma forma geral. Agora isso pode até atrapalhar menos em clima que em comércio internacional, mas precisamos desses dois países construindo coisas juntos”.

Quais resultados devemos esperar da COP 27?


Apesar dos esforços e das promessas dos últimos anos, especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que essa não será uma COP dos acordos climáticos históricos. A cúpula de 2022 é tida como uma COP entre COPs.

Ainda assim, as negociações decididas em Sharm el-Sheikh têm um peso importante para frear as mudanças climáticas e devem permitir avanços significativos nas promessas definidas em Glasgow, como as discussões sobre perdas e danos, financiamento climático e adaptação."

Fonte: g1/Meio Ambiente