domingo, 29 de agosto de 2021

"Mais duas cidades do interior de Minas registram casos da variante Delta"

 

Por Bruno Luis Barros - Especial para o EM 

"A cidade histórica de São João del-Rei registrou os dois primeiros casos da variante Delta da COVID-19. A primeira confirmação da cepa também aconteceu em Viçosa. As contaminações foram confirmadas nessa sexta-feira (27/8) pelas prefeituras dos municípios do interior mineiro. As idades dos infectados, no entanto, não foram informadas. Conforme o comunicado emitido pela administração municipal de São João del-Rei, os pacientes manifestaram os sintomas no início deste mês, cumpriram as medidas de isolamento social e retornaram às atividades ocupacionais. Já a Prefeitura de Viçosa disse que o estado de saúde da pessoa infectada é estável e que ela não apresenta sintomas. Ainda conforme a prefeitura, as pessoas com as quais o paciente teve contato estão sendo monitoradas pela Vigilância Epidemiológica. Novas análises foram realizadas, e a prefeitura aguarda a divulgação dos resultados. “Situação é muito grave”, aponta pesquisadora da Fiocruz

Diante do crescimento da incidência da variante Delta da COVID-19 no país e após a cepa se alastrar em Minas Gerais, diversas autoridades sanitárias têm feito alertas à população. Conforme noticiado pelo Estado de Minas nessa sexta-feira (27/8), a médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Margareth Dalcomo, disse que “a situação é muito grave”. “A cepa tem todas as condições de transmissibilidade para ficar dominante no Brasil”, afirmou. Segundo ela, mesmo as pessoas vacinadas com as duas doses estão suscetíveis à variante Delta. Nesse sentido, ela destacou a importância de que todos tomem a terceira dose – que, inclusive, começará a ser aplicada em setembro, conforme anunciado pelo Governo Federal. Leia mais: 'Situação é muito grave', diz pesquisadora da Fiocruz sobre variante Delta A variante Delta em Minas e no Brasil

O painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que há 102 amostras genotipadas que identificaram a cepa indiana em todo o estado. No entanto, os novos registros informados nesta matéria – que foram confirmados pelas respectivas prefeituras – ainda não foram computados pelo estado. Quanto ao perfil destes casos notificados à SES-MG até o momento, a idade variou entre 8 e 93 anos, com média de 48 anos. Há 51 casos do sexo feminino (56%) e outros 40 do sexo masculino (44%). Destes, dois casos evoluíram a óbito, sendo um de Rio Novo e outro de Uberaba. Conforme a última atualização semanal na terça-feira (24/8) divulgada pelo Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 1.405 casos confirmados da variante Delta do novo coronavírus. O número é 33% maior do que o total de diagnósticos positivos notificados há uma semana (1.051)."

Fonte: Estado de Minas - EM   

"Ricardo Nunes estabelece "passaporte da vacina" para eventos em SP"

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes

Por Humberto Abdo - Veja São Paulo

"O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou neste sábado (28), no Diário Oficial, um decreto que institui o chamado “passaporte da vacina” para todos os eventos da cidade que tiverem mais de 500 pessoas, a partir de 1º de setembro. As informações são do G1.

Segundo o decreto, a exigência de apresentação obrigatória do comprovante de vacinação contra a Covid-19 vai valer para shows, feiras, congressos e jogos, onde o participante terá que apresentar o comprovante físico ou virtual de ao menos uma dose da vacinação contra a Covid-19.

“Os estabelecimentos e serviços pertencentes ao setor de eventos, tais como shows, feiras, congressos e jogos, com público superior a 500 pessoas, deverão, a partir do dia 1º de setembro de 2021, solicitar ao público, para acesso ao local do evento, comprovante de vacinação do cidadão contra COVID-19, que será autenticado pelo Passaporte da Vacina previsto no artigo 1º deste decreto. (...) Será exigida, no mínimo, a comprovação da primeira dose da vacina”, disse o texto do decreto. 

A apresentação do comprovante de vacinação para a entrada em estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes e shoppings ficou de fora do decreto e foi adiada pela Prefeitura de São Paulo, ainda não tem data para começar a valer.

Os estabelecimentos que não respeitarem as exigências do decreto deste sábado (28) e os demais protocolos estabelecidos pela Vigilância Sanitária ficarão sujeitos a multa e até interdição do local. De acordo com a Prefeitura, os participantes dos eventos poderão apresentar o “passaporte da vacina” por meio de QR Code, disponível no aplicativo E-saúde, da Secretaria Municipal da Saúde, ou comprovante físico da imunização.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou que já oferece o comprovante de vacinação, em formato impresso e digital, também pelo aplicativo do Poupatempo Digital. De acordo com o governo de São Paulo, o aplicativo reúne os dados de vacinação dos cidadãos dos 645 municípios do estado de São Paulo para comprovação da imunização contra a Covid-19.

Desde a última terça-feira (17), o estado extinguiu as regras da quarentena e não há mais restrições de público nem de horário de funcionamento para o comércio e serviços. Apenas o uso da máscara continua obrigatório e há recomendação para que aglomerações sejam evitadas. No último final de semana, houve registro de aglomeração de pessoas sem máscaras e bares lotados na capital."

Fonte: Veja, SP  

sábado, 28 de agosto de 2021

"Geração de energia será insuficiente a partir de outubro, alerta ONS"


Chuvas abaixo da média acendem alerta nos reservatórios das maiores metrópoles

Fonte: Globoplay

Por Jéssica Sant'Ana, G1 — Brasília

"Volume de chuvas abaixo do esperado em agosto agravou cenário, sobretudo em reservatórios da região Sul e Sudeste. Operador do sistema vê necessidade de 5,5 GW adicionais a partir de setembro." Leia mais

Fonte: G1.com/Economia

Por Ana Lúcia Dias

A crise da água é em função das queimadas e do desmatamento na Amazônia principalmente, enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cuidava da pasta.

 

Nesta época deveríamos ter chuva, com os Rios Voadores / Aéreos que são responsáveis por trazer a chuva para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Você sabe o que são rios voadores / Aéreos    Fonte: E-Cycle               


E as queimadas e o desmatamento na Amazônia e no pantanal são os maiores nos últimos três anos. Sem maiores consequências para quem pratica. "Deixa a boiada passar" Brasil agora possui desertos do tamanho da Inglaterra  Fonte: BBC NEWS Brasil

 

Consequentemente, sem a chuva que alimentaria as hidrelétricas foi necessário ligar as termelétricas que geram energia mais cara. Em função do país não investir e não incentivar as energias renováveis, como a energia solar e a eólica. "É preciso ter planejamento energético e mudança da matriz elétrica brasileira, com investimentos em energia limpa, com a energia solar e a energia eólica”, diz economista e pesquisador da Unicamp Felipe Queiroz.

 

Quem escolhe os ministros para cada pasta é o chefe da nação. A escolha irresponsável e errada resulta nisso. E quem paga a conta dos erros somos todos nós que sustentamos o país, com nossos impostos que beiram trilhões de reais.

Novo Hospital Oncológico em Itajubá que atenderá a região


"A partir de 6 de setembro de 2021, o Hospital de Clínicas de Itajubá, em parceria com a @prefeituradeitajubaoficial e a Secretaria Municipal de Saúde, passará a oferecer o tratamento oncológico para Itajubá e região.  A consumação do projeto é fruto de um trabalho da Diretoria Executiva do HCI com total apoio do Poder Executivo de Itajubá, em que será oferecido o tratamento oncológico nos padrões atuais dos melhores protocolos oncológicos dos grandes centros: promoção, prevenção, oncologia clínica, oncologia cirúrgica, quimioterapia, intervenção oncológica, radioterapia e cuidados paliativos. #oncologia #hcinamídia"

Novo Hospital Oncológico em Itajubá que atenderá a região

Fonte: Hospital das Clinicas de Itajubá

Boletim epidemiológico atualizado: sábado, 28 de agosto, em Poços de Caldas, MG

          Painel da covid-19 em Poços de Caldas

Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação Social   

Neurocientista Miguel Nicolelis tem um importante aviso  

Neurocientista Miguel Nicolelis tem um aviso importante

Neurocientista Miguel Nicolelis
 Cientista Miguel Nicolelis

"Médico e cientista Miguel Nicolelis, trazendo uma análise da pandemia e a situação do Brasil frente aos números crescentes de infectados e mortos pelo coronavírus. Ele ainda reforça as medidas de prevenção e cuidados coletivos para barrar o vírus e evitar assim mais contaminações no campo e nas cidades"

“Seu Universo é Uma Casca de Noz.”

 


“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar

rei do espaço infinito.”.

William Shakespeare, em Hamlet


Dois vendedores de sapatos são enviados, por uma empresa, para um distante país. A missão deles é analisar o mercado local e identificar oportunidades de negócio. Lá chegando, ambos percebem uma inusitada situação: as pessoas não usam sapatos. Do aeroporto até o hotel onde passariam os dias, eles olharam as centenas de pessoas que andavam descalças pelas ruas da capital do país. Ao chegarem no hotel, foram aos seus quartos e não resistiram a oportunidade de enviar um e-mail aos diretores com as impressões iniciais da chegada ao país.


O primeiro vendedor escreveu: “a primeira impressão foi péssima. Poucas pessoas aqui utilizam sapatos. Penso que investir aqui é perda de tempo e dinheiro.”.

Já o segundo vendedor escreveu: “é um local extraordinário! Poucas pessoas aqui utilizam sapatos. Penso que investir aqui traz enormes oportunidades de vendas!”.

Ouvi esta história, pela primeira vez, quando fiz um treinamento de vendas. Depois eu a escutei novamente em outras situações, mas o objetivo de quem contava a história sempre foi de ilustrar como duas pessoas, na mesma situação, percebem-na de maneira completamente diferente.

Quando algo ocorre ou estamos envolvidos em uma situação, nossa mente começa imediatamente a avaliar o que está acontecendo. Imediatamente, sem que possamos perceber, a situação é pesada, registrada, avaliada e rotulada. E para alcançar esta finalidade, a mente utiliza vários “filtros” para definir se a situação pode ser considerada boa ou ruim, se traz riscos para a nossa segurança, e como podemos contornar a situação que se apresentou a nós.

Estes “filtros” são formados por nossas experiências pessoais anteriores (situações semelhantes geram um determinado tipo de lembranças e, por analogia, são colocadas no mesmo patamar), conselhos ou advertências que recebemos de pessoas queridas, a maneira de como nossos cinco sentidos corporais são estimulados, as necessidades e valores que são reavivados, nossa formação intelectual e moral. São diversas e múltiplas camadas, mas que acontecem tão rápido que simplesmente não percebemos, pois o encadeamento de pensamentos e sentimentos acontece de forma automática.

Esta nossa forma de perceber e, portanto, interagir com o mundo é o nosso “sistema de crenças”. A base de como compreendemos e aceitamos a realidade depende diretamente deste sistema. Altere a forma de como as crenças estão estruturadas, e você altera a forma de como esta pessoa vai interagir com o mundo. Um copo com água até a metade de sua capacidade estará “meio cheio” ou “meio vazio” conforme a maneira que o observador ou observadora percebe a situação, e esta percepção é resultado de seu “sistema de crenças”.

E este sistema de crenças que é o principal desafio a ser vencido pela coletividade humana na sua constante luta pela transcendência. Todos querem basicamente as mesmas coisas, como a Paz e a Prosperidade. Mas uma parcela significativa não deseja abrir mão de suas crenças, mesmo que destrutivas, pois sua identificação com elas é tão grande que, para elas, significa a própria morte.

O infinito pode caber em um espaço tão restrito quanto uma noz ou em nossas cabeças. Podemos desenvolver cascas que impedem de vislumbrar o todo, de ampliar horizontes, de buscar o novo, de evoluir. Podemos nos trancar em qualquer lugar, real ou imaginário, e nos declarar senhor do infinito. E desta forma, delimitar nossas potencialidades e possibilidades, e daqueles que estão à nossa volta.

É preciso estar bem atento para que nosso sistema de crenças não se torne uma prisão, uma casca impossível de ser rompida. Se permitirmos que nossos pensamentos e ações funcionem apenas no automático, estamos meros autômatos, que apenas reagem às situações conforme as programações que nos foram inseridas durante a vida. Pesquisas de um grupo de cientistas da Queen 's University (Canadá), liderados pelo Dr. Jordan Poppenk e por sua aluna de mestrado Julie Tseng, utilizaram uma metodologia que indicam que uma pessoa gera, em média, 6,2 mil pensamentos diários.

Quantos destes pensamentos permitem que você se torne mais autônomo, confiante, mais compassivo, tolerante, alinhado com a unidade da vida?

Olhar para si mesmo e compreender o próprio sistema de crenças é o primeiro e o mais importante passo para que deixemos de reagir às situações para responder às situações. É por este motivo que os seres humanos que alcançaram alto nível de capacidade de responder e agir de maneira diferenciada frente aos desafios da existência foram denominados de iluminados ou despertos. Eles e elas não agiam mais de maneira automatizada. Foram capazes de compreender a textura de suas próprias cascas – e com isto, tornaram-se grandiosas árvores nas quais a Humanidade pôde alimentar-se dos frutos de seus exemplos.

Todos temos o potencial de nos tornarmos árvores grandiosas. Para isto, precisamos ter a ousadia de rompermos com as velhas cascas que já não servem mais. Então, as sementes de nossos potenciais poderão brotar livremente, expandindo a característica que nos permitirá, em algum momento, transformar este belo planeta em um jardim: a Consciência.


Maurício Luz

 Maurício Luz escreve a Coluna "Frases em Nosso Tempo", aos sábados para O Guardião da Montanha.

Ele é carioca e ganhou prêmios:

1º Belmiro Siqueira de Administração – em 1996, na categoria monografia, com o tema “O Cliente em Primeiro Lugar”. 

E o 2ºBelmiro Siqueira em 2008, com o tema “Desenvolvimento Sustentável: Desafios e Oportunidades Para a Ciência da Administração”..

Ex-integrante da Comissão de Desenvolvimento Sustentável do Conselho de Administração RJ. 

Com experiência em empresas como SmithKline Beecham (atual Glaxo SmithKline), Lojas Americanas e Petrobras Distribuidora, ocupando cargos de liderança de equipes voltadas ao atendimento ao cliente.

Maurício Luz é empresário, palestrante e Professor. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997). 

Mestre em Administração de Empresas pelo Ibmec (2005). Formação em Liderança por Condor Blanco Internacional (2012). 

Formação em Coach pela IFICCoach (2018). Certificado como Conscious Business Change Agent pelo Conscious Business Innerprise (2019). 

Atualmente em processo de certificação em consultor de Negócios Conscientes por Conscious Business Journey. 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Boletim epidemiológico atualizado: sexta-feira, 27 de agosto, em Poços de Caldas, MG

          Painel da covid-19 em Poços de Caldas

Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação Social   

Saúde: Como a fome deixa 19 milhões de brasileiros mais vulneráveis à Covid-19: 'Não há sistema imune que resista'

A fome, que crescia no Brasil na última década, acabou se agravando na pandemia —
Foto: EPA
 

Por BBC News Brasil

"Além de comer, é preciso comer de modo nutritivo, explicam médicos; entenda os caminhos dos nutrientes no nosso corpo até alimentarem tanto células quanto bactérias benéficas à nossa saúde, ajudando na reposta imune do organismo."


"Quem quer que tenha sido o pai de uma doença, a mãe foi uma dieta deficiente", diz o médico Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em referência a um lema da nutrologia.

A falta de alimentos em quantidade e qualidade nutricional suficientes pode acarretar em crianças danos neurológicos, problemas de saúde mental, queda no rendimento escolar, diabetes, obesidade, hipertensão e maior vulnerabilidade a doenças infecciosas como a Covid-19.


Fonte: Globoplay

A fome, que crescia no Brasil na última década, acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil. Em 2018, eram 10,3 milhões. Ou seja, em dois anos houve um aumento de 27,6% (ou quase 9 milhões de pessoas a mais).

A Unicef (braço da ONU voltado para crianças e adolescentes) afirmou que, no mundo, "6,7 milhões de crianças menores de cinco anos podem sofrer definhamento (baixo peso para a altura) — e, portanto, tornar-se perigosamente subnutridas — em 2020 como resultado do impacto socioeconômico da pandemia de covid-19".

O fechamento das escolas em grande parte do país também levou a interrupções da merenda escolar, fundamental na alimentação de parte dos alunos da rede pública. Sem falar da inflação, que corroeu o poder de compra da população, principalmente de alimentos pela parcela mais pobre.

O impacto é também imunológico. A piora na alimentação de muitos brasileiros na pandemia tem impacto direto, segundo estudos e especialistas, na capacidade do corpo de combater invasores como o Sars-CoV-2. E por muito tempo.

Um estudo recente da Universidade da Califórnia sobre a prevalência de doenças crônicas no Brasil apontou que adultos que passaram fome na infância tinham maior probabilidade de desenvolver diabetes e osteoporose décadas depois.

A BBC News Brasil explica abaixo o que é a fome e qual foi o impacto dela durante a pandemia no prato e no sistema imunológico de milhões de brasileiros.

O impacto da fome no sistema imunológico


Uma dieta equilibrada é fundamental para o sistema imunológico do corpo humano, embora ela por si só não seja capaz de prevenir doenças infecciosas como a covid-19. O que comemos afeta diretamente seu funcionamento e, por isso, como nos sentimos.

Para entender esses mecanismos, é preciso primeiro entender como a fome física é ativada e inibida. Nosso corpo precisa de energia para funcionar, e sua geração demanda "combustível", no caso os nutrientes: os macro, que são as proteínas, carboidratos e gorduras, e os micro, que incluem vitaminas e minerais.

A ingestão deles é controlada pelo hipotálamo, parte do cérebro localizada atrás dos olhos. Células nervosas presentes ali produzem, ao serem ativadas, a sensação de fome. Isso ocorre por meio de duas proteínas que "causam" a fome. Perto dali há outra região do sistema nervoso capaz de "neutralizar" a fome, por meio de outras duas proteínas.

A grosso modo, esse dois conjuntos de células nervosas estão ligados a sinais como "estou com fome" ou "estou sem fome". A transmissão desses sinais envolve também hormônios que circulam no sangue, principalmente, que podem chegar de várias regiões do corpo que cuidam da ingestão de alimentos e do armazenamento de energia, como o intestino e o pâncreas.

Uma dieta equilibrada é fundamental para o sistema imunológico do corpo humano —
Foto: EPA

Mas o que é a fome em si e de onde vêm os "dados" para o cérebro "saber o que fazer"?

Bem, a fome física é a necessidade de comer, que nos leva a sair em busca de alimentos para, portanto, continuarmos vivos. É um sinal fisiológico. Mas também tem a ver com subalimentação e desnutrição, ou melhor, a impossibilidade de se alimentar ou o fato de fazer isso de forma errada. Logo, não se trata apenas de estômago cheio ou vazio, mas também da carga de nutrientes no intestino delgado, por exemplo. Uma pessoa obesa pode estar desnutrida.

Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), explica que o eixo intestino-cérebro é responsável por essa transmissão de mão dupla. A microbiota intestinal, composta principalmente por bactérias que colonizam o corpo logo após o nascimento, produz diversas substâncias que modulam o sistema nervoso central. É dessa relação com o sistema nervoso central que surgem as ordens como "coma mais" ou "coma menos" e a regulação do metabolismo.

O alimento e seus nutrientes entram como combustível necessário para o funcionamento desses processos.

Imagine uma cenoura, vegetal rico em uma substância antioxidante que protege a célula, o carotenoide. Ela é mastigada, segue pelo trato digestório, é digerida no estômago e absorvida no intestino delgado. Depois de uma série de processos de quebra, a cenoura é transformada em macro e micronutrientes, segue pela corrente sanguínea até o fígado, onde é metabolizada por meio de milhares de reações enzimáticas. Depois volta para a corrente sanguínea e, com ajuda do coração, chega ao organismo como um todo.

Um dos destinos são células, que para sobreviver também precisam de energia, que é basicamente a glicose, uma das moléculas resultantes da quebra dos nutrientes da cenoura.

Mas "cada refeição que você ingere, você está alimentando não apenas você, mas milhões e trilhões de bactérias no seu intestino", explica Ribas Filho.

E essas bactérias presentes no intestino têm papel fundamental nas defesas do corpo contra invasores, já que o sistema imunológico tem em sua base a "microbiota comensal". A maioria das células imunes do corpo ficam nessa região, e a microbiota intestinal atua no amadurecimento, no desenvolvimento e na regulação imunológica.

Mas não é qualquer quantidade ou variedade de comida que fará todo esse processo dar certo. "O segredo da vida está no meio", resume o nutrólogo.

Em níveis adequados, os nutrientes fazem com que o sistema imunológico adquirido, aquele que foi gerado ao longo da vida, tenha uma "produção maior de imunoglobulina, mais eliminação de bactérias, mais eliminação de vírus, mais eliminação de fungos, uma resposta autoimune maior e destruição de células, quer seja cancerosas ou infectadas por vírus".

Nutrientes também estimulam o timo (glândula do sistema imunológico) a produzir linfócitos, que expressam citocinas anti-inflamatórias e macrófagos, que farão fagocitose (processo de ingestão e destruição) e te defendem contra agentes bacterianos, fungicidas, fúngicos, vírus e células cancerosas."

E a falta de nutrientes faz toda a diferença na defesa do corpo. "Quando há deficiência de nutrientes, há, vamos assim dizer, uma diminuição na produção de imunoglobulinas, ou seja, aquelas células, aquelas proteínas que lhe protegem. E, consequentemente, você tem uma redução na sua eliminação bacteriana e na sua destruição de células infectadas."

Segundo Ribas Filho, não é por acaso que, em geral, pessoas desnutridas demandam mais cuidados intensivos do que atletas, por exemplo. A relação direta com uma maior gravidade da doença vale também para obesidade, tabagismo e sedentarismo, por exemplo.

Só que a solução não é tirar o atraso de uma hora para a outra.

"O problema é que muitas vezes se confunde, e se oferece uma grande quantidade de energia para aquela pessoa achando que está desnutrida e magra. Mas se você for observar em favelas, nas classes mais pobres, no Brasil e em outros países, a grande maioria são mulheres obesas. E elas estão desnutridas. Mas porque têm uma ingestão altíssima de calorias, de macronutrientes, principalmente carboidratos, que são baratos, e gorduras."

Mas qual seria o tempo ideal? Bem, isso varia de uma pessoa para outra, mas em geral dura pelo menos três meses para mudanças na alimentação começarem a surtir efeito no sistema imunológico.

"O sistema imunológico demanda tempo para começar a produzir as suas células de defesa, pois tem as células inatas, com as quais você já nasce, e outras que com o passar do tempo você vai se adaptando e vai recebendo e seu organismo vai se defendendo. Se nós fizéssemos uma avaliação, por exemplo, em um paciente X que tem deficiência de zinco e cálcio e fizéssemos a reposição, é lógico, evidente, que seria o ideal. Mas também não posso dar altas doses de vitaminas ou de minerais porque o excesso também tem ação pró-oxidante. A falta é um problema e o excesso também. Baseado nisso, é o velho segredo da vida que está no meio."

Consequências da desnutrição no combate ao coronavírus


Ao longo da pandemia, grupos de pesquisa investigaram as consequências da nutrição deficiente em pacientes infectados com covid-19. E as causas para problemas de alimentação vão além da fome ligada à pobreza.

Um dos primeiros estudos sobre o tema foi publicado no European Journal of Clinical Nutrition em abril de 2020 a partir de dados de 182 pacientes de Wuhan, cidade chinesa onde começou oficialmente a pandemia, no fim de 2019.

Os pesquisadores levantaram diversas hipóteses para os quadros de desnutrição, presente em metade dos pacientes com covid-19, principalmente os idosos. Entre eles, o impacto de sintomas gastrointestinais na ingestão de alimentos, a perda de apetite por ansiedade, a redução dos níveis de algumas proteínas durante a resposta do corpo ante uma inflamação grave e o quadro de diabetes mellitus (associado a problemas no metabolismo de nutrientes).

Outro estudo sobre o tema foi publicado no British Journal of Nutrition e produzido por pesquisadores de Toulouse, cidade do sul da França. Eles acompanharam 80 pacientes diagnosticados com covid-19 que foram internados em um hospital da região.

Do total, 30 foram diagnosticados com subnutrição. Esse quadro é definido a partir de diversos critérios, como o índice de massa corporal (relação entre peso e altura), perda de peso recente e redução na ingestão de comida.

No caso desses pacientes, muitos passaram a ter problema com alimentação depois de contraírem covid-19, que costuma afetar o olfato e o paladar dos pacientes. Por exemplo, 46% dos pacientes reduziram pela metade o consumo de alimentos durante a infecção e 28% tiveram perda de apetite.

Segundo os pesquisadores, ao chegarem aos hospitais, esses pacientes tinham uma concentração da proteína albumina no sangue tão baixa quanto a detectada em outras doenças inflamatórias graves. Essa proteína, ligada à regulação do pH sanguíneo, é usada por profissionais de saúde como indicador do nível nutricional do paciente, e a presença dela em níveis muito baixos é associada a uma mortalidade maior.

O número reduzido de pacientes envolvidos nesse estudo não permite conclusões amplas sobre o impacto de subnutrição na mortalidade por covid-19. De todo modo, por um lado, o número de pacientes nutridos e subnutridos que precisaram de um leito UTI era equivalente; de outro, os únicos três pacientes que morreram eram subnutridos. "Tendo em vista a alta prevalência, é um elemento essencial o suporte nutricional para pacientes em tratamento por covid-19", afirmam os pesquisadores franceses.

Impacto da alimentação em relação à covid-19


Para o médico Arnold R. Eiser, professor emérito da Universidade da Pensilvânia (EUA), a alimentação adequada talvez seja o fator mais importante na origem da tempestade de citocinas, nome dado a uma reação desmedida do sistema imunológico contra invasores como a covid-19 que acaba prejudicando o próprio corpo e em alguns casos levando à morte.

Em artigo publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine, ele discorre sobre características anti-inflamatórias das dietas japonesa e mediterrânea (ricas em ômega 3, verduras, legumes e cereais integrais, por exemplo) em comparação ao perfil pró-inflamatório da dieta ocidental, rica em carne vermelha, laticínios e açúcar, entre outros. Estes estão ligados a reações inflamatórias do corpo e também estão entre os fatores associados ao surgimento de doenças cardiovasculares e obesidade, por exemplo.

Eiser defende mais pesquisas sobre o papel anti-inflamatório e preventivo da alimentação na pandemia. "A profilaxia da supressão de citocinas por meio de mudanças na dieta pode ser benéfica na redução da letalidade em uma pandemia como a da covid-19. Mudanças dietéticas em direção a uma dieta anti-inflamatória também têm benefícios adicionais à saúde, incluindo redução da morbidade e mortalidade cardiovascular, redução da prevalência de demência e efeitos antidiabéticos, de modo que a saúde pública poderia se beneficiar mais amplamente do que apenas na pandemia de covid-19."

Por outro lado, um grupo de dezenas de pesquisadores europeus aventa outras hipóteses, como a relação entre alimentação e os níveis de ACE2, enzima usada como porta de entrada pelo coronavírus para invadir as células humanas. Ou seja, alimentos ricos em gordura saturada (como carne vermelha e laticínios) podem deixar algumas pessoas mais vulneráveis à doença. Na direção oposta, alimentos com potencial antioxidante podem ser benéficos.

Para a especialista em saúde pública nutricional Amanda Avery, professora da Universidade de Nottingham (Reino Unido), outro fator possível passa pela relação entre alimentação e os conjuntos de micro-organismos (microbiota ou flora) presentes no intestino e nos pulmões.

Alimentos fermentados e probióticos, afirma ela, têm potencial para ajudar o organismo a prevenir infecções como a covid-19. No intestino, por exemplo, vivem bactérias que se nutrem do que comemos e assim se proliferam e produzem mais nutrientes.

Todos os pesquisadores defendem estudos mais aprofundados sobre o tema.

Qualidade da alimentação e disparidades raciais


Em artigo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, um grupo de cinco pesquisadores de instituições dos EUA, entre elas a Universidade Harvard, e um da Universidade de Atenas (Grécia), tratam do impacto muito maior da pandemia sobre comunidades negras, latinas e indígenas em território americano a partir do ponto de vista da alimentação.

Segundo eles, essas comunidades são proporcionalmente mais afetadas por problemas nutricionais, obesidade e outras doenças crônicas em razão de fatores socioeconômicos, educacionais e ambientais. "Pessoas em situação de insegurança alimentar e vivendo em desertos de comidas (lugares com pouca oferta de alimentos saudáveis) têm acesso predominante a alimentos baratos e processados."

Essas disparidades ficaram ainda mais nítidas durante a pandemia, que atingiu desproporcionalmente pessoas negras, latinas e indígenas nos EUA. Esses grupos chegaram a ter taxas de internação cinco vezes maior que a dos brancos, por exemplo, e a mortalidade dos negros é duas vezes maior.

"As disparidades de saúde em nutrição e obesidade estão intimamente relacionadas às alarmantes discrepâncias raciais e étnicas relacionadas à covid-19."

A qualidade da alimentação não é, obviamente, o único fator envolvido no impacto em minorias étnicas ou classes menos favorecidas. Pesquisadores apontam outras razões, como a natureza dos empregos (mais presenciais e, portanto, expostos), o acesso desigual ao sistema de saúde, a densidade populacional das habitações, a falta de saneamento básico e a insegurança alimentar.

Nos EUA, o número de famílias latinas e negras que enfrentam a possibilidade de não ter o que comer é três vezes maior do que entre famílias brancas, segundo pesquisa publicada pelo Urban Institute a partir de dados da Pesquisa de Rastreamento do Coronavírus nos EUA. Durante a pandemia, o número de americanos que passam fome passou de 35 milhões para 50 milhões.

A situação não é diferente nas favelas brasileiras, que somam cerca de 13 milhões de habitantes.

Um estudo feito em duas favelas de São Paulo no início da quarentena investigou a insegurança alimentar entre março e junho de 2020 a partir de 909 chefes de família. A conclusão dos pesquisadores foi a de que a falta de acesso regular a alimentos suficientes e nutritivos por essas famílias colocam-nas em maior risco de desnutrição, fome oculta (deficiência de micronutrientes), obesidade e doenças crônicas relacionadas à alimentação.

Na pesquisa, 88% das famílias são chefiadas por mulheres jovens que trabalham como faxineiras, auxiliares de cozinha e em serviços de vendas, algumas das categorias profissionais mais expostas ao contágio da covid-19. A cada dez, nove relataram incertezas sobre a compra ou o recebimento de alimentos, seis comiam menos do que deveriam e cinco viveram insegurança alimentar moderada ou grave. Os fatores associados à fome são baixa renda, baixa escolaridade e morar em casa sem filhos (o que reduz o valor do Bolsa Família ou do auxílio emergencial).

Um quinto das famílias recebia Bolsa Família, principal fator de proteção socioeconômica. Ao longo da pandemia, os pesquisadores avaliaram o acesso a alimentos nas duas favelas (Heliópolis e Vila São José) a cada seis meses, e ficou claro como a trajetória da escassez de alimentos (saudáveis ou não) era marcada por altos e baixos. O auxílio emergencial deu um certo alívio, mas a interrupção, a redução do valor e a limitação para beneficiários trouxe de volta a insegurança alimentar.

Essa situação, entretanto, não começou com a pandemia, mas se agravou com ela.

Em entrevista à BBC News Brasil, a nutricionista Luciana Tomita, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo em São Paulo, disse que o mais chocante foi encontrar quase metade das famílias já nas primeiras semanas da pandemia em situação de escassez de alimentos moderada ou grave. "A redução da renda dessa população foi quase automática", disse Tomita.

Grande parte dessas famílias tem empregos temporários, sem carteira assinada, de renda instável e insuficiente. Além disso, há uma dificuldade de oferta e acesso a alimentos e ainda mais nutritivos. Perto das comunidades há fácil acesso a alimentos ultraprocessados. Os preços também foram monitorados. Os pesquisadores relataram ouvir como resposta ao não consumo de alimentos saudáveis a frase "é caro e não enche barriga".

E quais são as saídas possíveis?


Segundo a legislação brasileira, a segurança alimentar e nutricional "consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais."

Por outro lado, a insegurança alimentar ocorre em três níveis, segundo a escala Ebia. Leve, quando há incerteza ou receio a respeito da capacidade de passar fome em um futuro próximo ou em conseguir alimentos; moderada, situação em que há restrição na quantidade e na qualidade do alimento para a família; e grave, quando as pessoas que relatam passar fome, quando não se consome comida por um dia inteiro ou mais.

Em estudo sobre a fome durante a pandemia de covid-19, publicada na revista SER Social, a socióloga Sirlândia Schappo, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), diz: "a ausência do direito humano à alimentação envolve não apenas a falta de renda ou da disponibilidade de alimentos, mas de vários outros fatores, como o não acesso ao alimento, a falta de condições adequadas para produzir o alimento, o não acesso à terra, a falta de condições de saúde ou de habitação, entre outras".

Uma das propostas do estudo coliderado por Tomita nas duas favelas paulistanas é a agricultura familiar, setor responsável por produzir 75% dos alimentos consumidos no Brasil, segundo dados da FAO (braço da ONU para alimentação e agricultura).

A pesquisadora também acompanhou estudantes de uma escola pública em Heliópolis onde construíram uma horta pedagógica com a intenção de incentivar a alimentação saudável e a produção própria. E ficou claro que o sucesso do projeto depende em envolver a comunidade como um todo. "Segurança alimentar e nutricional é isso, né? Acesso a alimentos saudáveis, seguros, em quantidade e qualidade."

Além disso, Tomita defende a ampliação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o auxílio emergencial. Para ela, o benefício precisa atender bem também os idosos e os adultos que não têm filhos, "com um valor que permita comprar alimentos, botijão de gás e materiais básicos de necessidade e higiene para que consiga garantir o seu direito à alimentação adequada e saudável".

O pagamento do auxílio emergencial começou em abril de 2020, sendo R$ 600 ou R$ 1.200 para mães chefes de família. Depois de cinco parcelas, o valor caiu pela metade. O último dos repasses, de R$ 300 ou R$ 600, ocorreu em dezembro. O programa foi retomado em 2021 com quatro parcelas de R$ 250 e menos beneficiários.

Estima-se que o custo dos pagamentos para 68 milhões de pessoas tenha chegado a R$ 300 bilhões em 2020, quase dez vezes o valor do Bolsa Família, que beneficia cerca de 14 milhões de famílias com repasse médio de quase R$ 200."

Fonte: G1.com/Bem Estar

Enquanto isso...

"Bolsonaro chama de idiota aqueles que dizem que é melhor comprar feijão do que fuzil"

"Presidente tem hábito de chamar de 'idiota' quem critica o governo ou cobra medidas. Segundo IBGE, inflação da alimentação em domicílio mais que dobrou entre junho e julho."



Fonte: globoplay   

Enquanto o Brasil passa fome, a ex de Bolsonaro e o filho nº4 Jair Renan se mudam para mansão de R$ 3,2 milhões"  (foto abaixo)     



Fonte: Extra online