sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Canabidiol poderá ser utilizado na medicina brasileira

Anvisa decide retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proibido

Obtenção de medicamentos com a substância será facilitada no país. Substância química é encontrada na maconha e tem utilidade terapêutica.

Por Isabella Calzolari 
Atualmente, medicamento com canabidiol necessita de autorização especial da Anvisa. Agência retirou substância da lista de proibidas (Foto: Reprodução/TV TEM)

O que é o canabidiol (CBD)?
É uma substância química encontrada na maconha que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas. Medicamentos comercializados no exterior já utilizam a substância derivada da Cannabis sativa.
Para quais tipos de tratamento é usado?
Pacientes utilizam o canabidiol para alívio de crises epilépticas, esclerose múltipla, câncer e dores neuropáticas (associadas a doenças que afetam o Sistema Nervoso Central).
Como é o processo atual?
Segundo a Anvisa, o canabidiol está inserido na Lista de substâncias uso proscrito no Brasil, chamada de F2, por ser derivado da Cannabis sativa, nome científico da maconha. Interessados em importar remédios com a droga têm que apresentar prescrição médica e uma lista de documentos para a Anvisa, que serão avaliados pelo diretor da agência. Ele dará uma autorização especial, que demora, em média, uma semana para ser liberada.


Mesmo com a reclassificação do canabidiol, sua importação continuará sendo controlada pela Anvisa, mas a substância perde a 'tarja' oficial de ilegalidade.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta quarta-feira (14) retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito.

A medida foi aprovada pela Diretoria Colegiada da agência durante reunião em Brasília. Com ela, abre-se o caminho para que a comercialização de medicamentos com a substância seja facilitada no país. Antes, a venda do produto com a substância classificada como proibida era vetada.

Agora, as empresas interessadas poderão produzir e vender derivados de canabidiol após a obtenção de um registro da Anvisa. Há menos de um mês, uma empresa europeia entrou com um pedido para vender medicamentos com a substância, mas ele ainda está em análise e não há prazo para ser concluído. A aquisição do produto deverá ocorrer de forma controlada, com a exigência de receita médica de duas vias.

A agência também vai criar uma ordem de serviço em regime especial para regulamentar a importação dos remédios com a substância, que continuará pecisando de autorização para ser feita. A resolução ainda não está pronta. Com ela, deve haver uma flexibilização da importação. Segundo Jaime Oliveira, medicamentos já conhecidos pela Anvisa que contêm a substância serão autorizados mais rapidamente do que medicamentos desconhecidos, que precisarão de uma maior análise.

O canabidiol é uma substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas.

O diretor-presidente da Anvisa, Jaime Oliveira, votou pela liberação do uso do canabidiol, mas com controle e com a permanência da necessidade de autorização de importação pela Anvisa. "A reclassificação, por si só, em nada altera o quadro de necessidade excepcional de autorização da Anvisa. Os produtos importados não são só compostos de canabidiol", disse.

De acordo com o diretor-presidente, estudos científicos mostraram que o canabidiol não traz dependência. "Portanto não há razões para que ela [a substância] permaneça proibida. Apesar dos relatos bibliográficos, a avaliação nao teve objetivo de comprovar a eficácia do canabidiol e sim o risco de desvios e seu potencial para causar dependência."
saiba mais
  • Decisão do CFM de liberar canabidiol é publicada no Diário Oficial
  • Conselho Federal de Medicina libera uso de composto da maconha
  • Morre bebê que esperava liberação de remédio derivado da maconha
  • Anvisa estuda facilitar importação de remédios feitos à base de maconha
  • Justiça autoriza família a importar remédio derivado da maconha
Ivo Bucaresky, membro da diretoria colegiada, disse que, em curto prazo, pode parecer que a decisão não mudará muita coisa, mas há um efeito simbólico e prático. "Além de mostrar que não é algo ilegal que está sendo feito, que o médico não está impedido de prescrever, vai permitir que saia essa tarja de ilegalidade, que está sendo feito algo proibido", afirmou.

Segundo Bucaresky, a decisão também será importante para as pesquisas científicas no Brasil. "O efeito prático primeiro é na academia. Vai facilitar as pesquisas e os debates na academia. Outro ponto que vi muito é o acesso. Hoje consegue trazer [o remédio] quem tem estrutura econômica e muitas famílias têm dificuldades de ter acesso."

De acordo com a Anvisa, o órgão recebeu nea última terça-feira 374 pedidos de importação da substância para uso pessoal, por meio do pedido excepcional de importação de medicamentos de controle especial e sem registro no Brasil. Desse total, 336 foram autorizados, 20 aguardam o cumprimento de exigência pelos interessados e 11 estão em análise pela área técnica.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou uma nota na qual elogiou a decisão da Anvisa, considerando-a como um "reconhecimento ao pedido de inúmeras famílias que buscaram na Justiça o direito ao tratamento".

Apelo de pais
Durante a reunião, Katiele Fischer e Norberto Fischer, pais de Anny, de 6 anos, portadora da rara síndrome CDKL5, fizeram um apelo aos membros da diretoria colegiada. Anny tem uma doença genética que provoca deficiência neurológica grave e grande quantidade de convulsões. Em 3 de abril do ano passado, o casal obteve, na Justiça, autorização para importar o canabidiol.

"A reclassificação é fruto de um apelo social. Não é uma decisão política. Isso é uma decisão técnica da equipe da Anvisa com esse apoio popular", afirmou Norberto Fischer. "Com a reclassificação o aspecto sociológico da sociedade vai mudar. A sociedade começa a acreditar que essa substância não é algo ruim."

Conselho Federal de Medicina
Em dezembro do ano passado, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso do canabidiol no tratamento de crianças e adolescentes que sejam resistentes aos tratamentos convencionais. A prescrição é restrita a neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras.

Segundo a entidade, os médicos autorizados a prescrever a substância deverão ser previamente cadastrados em uma plataforma online. Já os pacientes serão acompanhados por meio de relatórios frequentes feitos pelos profissionais.

Pela norma, pacientes ou os responsáveis legais deverão ser informados sobre os riscos e benefícios do uso do canabidiol e, então, assinar o termo de consentimento. Além disso, a decisão do conselho deverá ser revista no prazo de dois anos.

O canabidiol deve ser prescrito a pacientes de epilepsia ou que sofram de convulsões que não tiveram melhoras no quadro clínico após passar por tratamentos convencionais.

De acordo com o conselho, o uso da substância deve ser restrito a crianças e adolescentes menores de 18 anos – mas quem eventualmente use o medicamento antes dessa idade pode continuar o tratamento mesmo após ficar maior de idade.


As doses variam de 2,5 miligramas diários por quilo de peso do paciente a até 25 miligramas, dependendo do caso. A estimativa do conselho é que o limite diário total fique entre 200 miligramas e 300 miligramas por paciente.

Fonte: g1.com

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Em São Paulo, Chalita, agora do PMDB é o novo secretário de educação

PT: DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO À PEDAGOGIA DO AMOR
A alteração do Secretário de Educação do município de São Paulo se confirmou nesta terça-feira, 13/01, com a publicação no Diário Oficial da exoneração de César Callegari e a nomeação de Gabriel Chalita (PMDB).
A troca, segundo informações da imprensa, vinha sendo articulada há um mês, envolvendo Lula e Temer, e faz parte de uma articulação política para a campanha de 2016, na qual o PMDB assumirá o papel de vice-prefeito na disputa à reeleição de Fernando Haddad.

O jogo político em questão demonstra a pior face das alianças feitas pelo PT para garantir uma vitória eleitoral. Ainda que a presidente tenha anunciado como novo mote de governo: “Brasil, pátria educadora”, o que mais temos visto desde esse curto início de ano é a prioridade na área de educação ser atacada pelos governos petistas. Iniciamos com a nomeação de Cid Gomes (PROS) para o Ministério da Educação. Logo ele, que disse que "os educadores devem trabalhar por amor" e foi um dos cinco governadores que entraram no STF contra a Lei do Piso Salarial do magistério. E que já recebeu de bom grado no Ministério um grande corte orçamentário (o maior de todos) - cerca de 7 bilhões de reais. Agora, na prefeitura de São Paulo, o PT entrega a Secretaria de Educação do município mais rico do país para a administração de Gabriel Chalita, que, lembramos bem, foi secretário de educação do governo estadual na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) entre 2002 e 2006.

A vinda de Chalita para a Secretaria Municipal de Educação é simbólica. Reafirma que as políticas educacionais de dois partidos que se dizem antagônicos (PT e PSDB) alinharam-se de tal maneira que seus governos podem ter o mesmo secretário de educação. Indica que a prioridade na educação está somente no discurso, pois na prática a educação ainda não é tratada como um direito de todos e dever do Estado. E, sobretudo, aponta para um período em que a lógica privatista deve se aprofundar na maior rede de ensino do país.

Podemos usar três exemplos para sustentar as afirmações acima: o primeiro, o programa que foi a menina dos olhos de Gabriel Chalita durante sua gestão na secretaria estadual de educação: a Escola da Família. A proposta, que abria a escola nos finais de semana, usava um discurso de "democratização do espaço e de oportunidades" para maquiar o fato de que o programa funcionava à base de voluntariado, bolsistas, estagiários e oficineiros contratados através de ONGs. Ou seja, uma grande desresponsabilização do Estado em garantir condições de trabalho, salários e a presença de educadores concursados e profissionalizados para sustentar um programa considerado de extrema importância. Implícita, a ideia de que a função de educar institucionalmente poderia ser feita por qualquer pessoa, desde que houvesse "boa vontade".

O segundo exemplo são declarações atuais de Chalita dizendo que para solucionar o problema do déficit de vagas em creches na capital a saída é de “flexibilizar” algumas regras. Vale lembrar que, durante sua campanha para prefeito em 2012, destacou a ideia de usar as faculdades privadas para acomodar as crianças que estão na fila por uma vaga em creche, repassando dinheiro para que essas montassem um espaço para as mesmas. Ou seja, fazer novos tipos de “conveniamento” para o atendimento das crianças pequenas, o que significa recuar ainda mais na qualidade da oferta dessas vagas e engordar financeiramente as empresas do ensino superior. Por fim, deve ser lembrado também que Chalita é investigado em 11 inquéritos por suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito, em casos envolvendo licitações enquanto era Secretário Estadual de Educação.

Além da prática política já conhecida, e que tão bem serviu ao modelo PSDBista de governar, Gabriel Chalita já deu inúmeras declarações que revelam sua visão privatista e meritocrática da área educacional. Compreende a educação fora do espaço político, no seu significado mais amplo, que é o da coletividade. Não à toa, uma de suas obras tem o sugestivo título "Educação: a solução está no afeto". É lamentável que o novo secretário de educação da cidade de São Paulo não veja que a solução para a educação está sobretudo na maior responsabilização do Estado, na valorização profissional e salarial dos educadores, na melhoria das condições de trabalho, no investimento na autonomia escolar e na gestão democrática.

O PT foi da pedagogia do oprimido de Paulo Freire, secretário de educação de Luisa Erundina, parra a "pedagogia do amor", do ex-tucano Gabriel Chalita. Um retrocesso brutal.

Onde estão os petistas que tem tradição na defesa da educação pública gratuita e de qualidade, que denunciavam a privatização e o sucateamento do ensino? Esse vergonhoso silêncio não pode continuar em nome da governabilidade conservadora.
Entendemos que teremos pela frente um período de lutas e mobilização para fazer o enfrentamento necessário. Nosso mandato acompanhará esse novo período e se fará sempre presente na luta e na defesa de uma educação pública, gratuita, estatal, laica e de qualidade para todos.
Fonte: facebook/Ivan Valente

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ladeira do amendoim, um novo desafio





Na Ladeira do Amendoim, um ponto turístico  em São Thomé das Letras, um desafio enfrentado por Irineu e Vanessa, um casal de turistas, que resolveu fazer um teste na Ladeira do Amendoim. Eles trouxeram desta vez um patinete para ver se ele anda sozinho como o carro... Veja a surpresa...  



Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie

por Leonardo Boff

"Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. 
Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassianto. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. 
Publico aqui um texto do padre Antonio Piber, que é teólogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: 
Leonardo Boff
"Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…
Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…
A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.
Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…

Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?
Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pessoas e duas medidas caos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.
Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). 
Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). 
A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. 
Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus…

Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.
“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é
extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie."

Resultado das provas no enem: confira

Mais de 500 mil estudantes tiraram zero na prova de redação do Enem, realizado no ano passado. "Lamentável", se o estudante soubesse a finalidade da leitura, que é lendo jornal, literatura é que se aprende a compreender o que se escreve. Interpretação de texto e o português correto.
As notas individuais foram divulgadas nesta terça-feira (13).
O MEC informou que detectou vários ataques de hackers ao site do Inep e isso atrasou a divulgação das notas.
Confira as notas do Enem 2014
No ano passado, mais de seis milhões de estudantes fizeram a prova. As notas da redação chamaram a atenção. Mais de 500 mil estudantes tiraram zero. Em 2013, foram 106 mil. Apenas 250 obtiveram a nota máxima. No Enem anterior, quase o dobro. Na média geral, as notas caíram 1% em relação a 2013. As quedas mais acentuadas foram em Matemática, 7,3%, e redação: quase 10%. A média de Ciências Humanas; Ciências da Natureza e Linguagens subiram.
O ministro da Educação disse que a qualidade do ensino e o tema da redação, publicidade infantil, tornaram a prova mais difícil para os estudantes.
“O brasileiro está lendo muito pouco . Os estudantes também estão lendo muito pouco, em função do acesso fácil a internet. O estudante não pensa mais, tem alguma pesquisa para fazer, vai até o google, pesquisa,  imprime e  não tem o hábito de ler o que pesquisou. Não dá para a gente fugir, não dá para a gente camuflar ou tentar dizer que o ensino público brasileiro é bom”, afirma Cid Gomes, ministro da Educação.
Para o especialista Remi Castioni, o ensino médio está distante da realidade.
"O jovem não tem relação alguma da forma como vai utilizá-los no dia a dia. Então, não sabe porquê está estudando determinados conteúdos. E, na maioria das vezes, é obrigado a decorar aqueles conteúdos e não sabe como os vai aplicar", destaca Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação/UNB.
A nota do Enem permite aos estudantes tentar uma vaga em universidades públicas, por meio do Sisu, Sistema de Seleção Unificada. Este ano, serão oferecidas 205 mil vagas. As inscrições serão abertas no dia 19 de janeiro. Além disso, eles podem se candidatar ao financiamento estudantil e a bolsas em instituições de ensino privadas, por meio do ProUni, que vai abrir o processo de seleção no dia 26 de janeiro.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Tendências numerológicas para 2015



"O Número 8 representará o ano de 2015, obtido por meio da soma dos algarismos que compõem o ano universal: 2+0+1+5 = 8. E o que essa simbologia tende a mostrar? O 8 é considerado um número cármico. Mas não no sentido negativo ou religioso que comumente essa palavra é usada, se referindo a algo ruim que temos de "suportar e sofrer até pagar". Carma é simplesmente a Lei da Ação e Reação. Coloca-se um pensamento, uma emoção e uma ação em movimento. Como consequência natural, recebemos um efeito. Nada mais justo. Aquilo que plantamos, colhemos.

Por isso, 2015 será um ano em que precisaremos ter muita responsabilidade sobre nossas decisões."Por isso, 2015 será um ano em que precisaremos ter muita responsabilidade sobre nossas decisões."

Afinal, a repercussão do que fizermos será na justa medida. Se formos merecedores de um resultado positivo ou de conquistas significativas, será porque agimos em conformidade com esse mérito.

Dessa forma, se você sentir insatisfação com os efetivos que obterá, aproveite a oportunidade de estabelecer metas e estratégias que lhe permitirão alcançar seus objetivos, tal como almeja. Ou seja, faça uso do planejamento e da organização para estabelecer metas claras dentro de um prazo realista, a fim de conseguir um retorno positivo desse investimento responsável e prático que semeou.

Claro que as leis, a justiça, as regras e os códigos propriamente ditos poderão ganhar uma ênfase em 2015. Por conta disso, profissionais ligados ao Direito e os tribunais também estarão com um foco maior.

Poder e violência

Cada número é um símbolo. E o 8, associado ao poder, tem em si a força tanto de destruir quanto de construir. Comportamentos de autoritarismo, impondo sua vontade tiranicamente, é um exemplo de uso destrutivo do poder. Alcançar um cargo de maior autoridade e se sentir superior aos outros colegas e funcionários, deslumbrando-se com o sucesso, também pode gerar a arrogância do complexo de superioridade. E acabar ridicularizando, menosprezando e até mesmo humilhando as outras pessoas. Por isso, 2015 poderá ser um ano bem violento. Infelizmente, o 8 aponta - em sua polaridade negativa - para uma faceta bem cruel.

Daí a importância de reconhecer em nossa natureza humana (em mim, em você, em cada um de nós) essa energia poderosa que pode descambar para a crueldade, como a vontade de brigar diante das frustrações ou oposições. Impor o que queremos sobre os filhos, a pessoa parceira, os amigos ou colegas de estudo. Desrespeitar com agressividade (verbal ou física) quem tem uma religião, cultura ou condição sexual diferente da nossa. Será preciso lidar com a vontade de "voar de raiva" no pescoço do outro quando este, de alguma forma, entrar em discordância com aquilo que pensamos, desejamos ou sentimos."Será preciso lidar com a vontade de "voar de raiva" no pescoço do outro quando este, de alguma forma, entrar em discordância com aquilo que pensamos, desejamos ou sentimos."

A partir dessa percepção de nosso lado instintivo, voraz e animal em nossa natureza humana, temos condições de não dar vazão destrutiva a esse poder. Com essa consciência, desenvolve-se a maturidade (outro atributo do simbolismo do Número 8) e a atitude lúcida de assumir a responsabilidade sobre nossos atos e decisões. De que temos a opção de canalizar essa força bruta e dinâmica para empreendimentos e conquistas que realmente valerão a pena. É aí que entra em cena uma bela força do Número 8.

A força de empreender

O 8 é um número que representa o maior potencial de realização na Numerologia. Seu poder de concretizar o que se ambiciona conquistar é magnífico. Então, se deseja comprar a casa própria, adquirir um bem ou iniciar seu próprio negócio, 2015 será um ano com um grande potencial para você atingir essas metas práticas.

Para isso, será essencial você se dispor a desenvolver um novo nível de habilidade administrativa. Enfim, se planejar melhor, lidar com burocracias e adotar estratégias bem consistentes e objetivas rumo aos alvos que almeja acertar. E, claro, ser bem persistente diante dos desafios. Porque a simbologia do 8 mostra que o caminho não é fácil. É preciso ter muita disposição física (vontade de trabalhar bastante) e autocontrole para não se sentir derrotado logo diante dos primeiros obstáculos.

Em outras palavras, são testes de paciência que o questionarão: "Até que ponto você realmente consegue bancar os seus sonhos?". Afinal, quando queremos muito alcançar uma meta, o esforço é necessário. Principalmente nas fases mais árduas.

Portanto, valorize o processo de cumprir degrau por degrau cada etapa para realizar as tarefas que levarão você até o objetivo pretendido. Parabenize-se por cada êxito. Mas não se acomode aí. Respire fundo e continue persistindo. Com o Número 8, não são apenas pequenos sonhos que podem ser concretizados, mas grandes planos. Pense alto."Com o Número 8, não são apenas pequenos sonhos que podem ser concretizados, mas grandes planos. Pense alto."

E se prepare constantemente para atingir esse nível de realização. A sensação de dever cumprido e autorrealização será uma consequência muito satisfatória dessa escalada.

Finanças: ascensão ou ruína?

Quem estuda Numerologia sabe que falar o Número 8 também tem relação com o dinheiro, é bastante voltado para as questões financeiras. Por isso, 2015 poderá ser um ano de grandes riscos nessa área, com muitos investimentos arriscados sendo feitos, empresas tradicionais falindo, impérios sendo construídos, bancos quebrando. E as moedas das nações também poderão passar por uma época bem desafiante.

Mais do que nunca, os governantes de cidades, estados e países precisarão dominar a habilidade executiva para dar mais atenção a este setor em sua respectiva administração. Porque o perigo das dívidas rondará com mais intensidade. O mesmo pode ser dito para a vida de cada um de nós. Saber colocar em planilhas bem elaboradas as despesas e as receitas será quase uma obrigação. Ter cuidado redobrado com cartões de crédito e prestações, a fim de não aumentar (ou criar) as dívidas, também.

Se adotarmos uma atitude bem madura e lúcida com relação ao uso do dinheiro, teremos uma bela oportunidade de aumentarmos nossos rendimentos."Se adotarmos uma atitude bem madura e lúcida com relação ao uso do dinheiro, teremos uma bela oportunidade de aumentarmos nossos rendimentos."

Estudar fontes de investimento, tais como poupanças, compra de imóveis, fundos de renda fixa, etc., a fim de decidir pelo melhor plano de crescimento financeiro, será uma estratégia muito apropriada para 2015.

Desse modo, você poderá lucrar bastante - literalmente falando - neste ano que será regido pelo Número 8. Desenvolva essa maior praticidade para aproveitar ao máximo o potencial de concretização e conquistas que esse Número simboliza!"


SOBRE O AUTOR

Yubertson Miranda é numerólogo, astrólogo e tarólogo. Formado em Filosofia. Ama encontrar significado nos eventos do dia-a-dia. É autor das análises numerológicas do Personare.

Fonte: Personare

Todo brasileiro pode receber tratamento dentário de graça no SUS

Todo brasileiro pode receber tratamento dentário de graça, graças ao programa Brasil Sorridente, criado em 2004
Em 2014 o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com cinco vezes mais equipes de saúde bucal do que a população contava em 2002. São mais de 24 mil equipes atendendo em 89,6% dos municípios de todo o Brasil.
Centros de Especialidades Odontológicas e Laboratórios de Próteses Dentárias públicos, por exemplo, não existiam em 2002 e hoje são 1.029 centros e 1.479 laboratórios à disposição.
A ampliação dos serviços de saúde bucal no SUS tem garantido uma redução da parcela da população mais vulnerável que nunca havia ido ao dentista. Mais de 80 milhões de brasileiros já foram beneficiados desde a criação do programa.
Desde 2003, o número de profissionais de saúde bucal foi ampliado em 50%, chegando a 65.347.
                                                              
Em apenas uma década, o Programa colocou o Brasil no grupo de países de baixa prevalência de cáries, de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e é reconhecido como o maior programa de saúde bucal público do mundo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2003 (PNAD) demonstrou que 46,6% das crianças de 5 anos e 43,5% das crianças de 12 anos nunca tiveram cárie dentária.
Houve uma queda de 26% na incidência de cárie dentária na faixa etária de 12 anos e, também, a redução de perda dentária e do número de dentes afetados por cáries além da ampliação no acesso aos serviços de saúde bucal para as faixas etárias de 15 a 19 anos; 35 a 44 anos; e 65 a 74 anos.
O investimento do Programa Brasil Sorridente entre 2003 e 2013 foi de R$ 7 bilhões. Para 2014, a previsão de investimento é de R$ 1,2 bilhão.

Fonte: Ministério da Saúde

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Eficácia do Protetor Solar

 

Estudo questiona eficácia de protetores solares

Luz ultravioleta e luz visível
Com informações da Agência USP
Já se sabia que os protetores solares não oferecem proteção total contra o câncer de pele e até que alguns componentes nesses e em outros cremes de higiene pessoal podem causar doenças como a endometriose.
Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) podem ter descoberto agora uma das explicações pelas quais os protetores solares podem não ser a garantia total de proteção contra o câncer de pele.
"Criou-se um mito de que a luz visível é segura, o que não é verdade," explica o professor Maurício Baptista, cuja equipe demonstrou que a exposição à luz visível, e não apenas à luz ultravioleta, também pode ser prejudicial à pele mesmo com o uso de protetores solares.
Baptista e seus colegas do Redoxoma (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Processos Redox em Biomedicina) mostraram como a melanina, ao ser estimulada pela luz visível, gera moléculas altamente reativas que causam danos ao DNA das células.
"Este resultado tem impacto importante para a saúde pública, pois demonstra que a estratégia de passar filtro solar e se expor por longos períodos ao Sol pode causar danos irreparáveis na saúde da pele, incluindo o fotoenvelhecimento e possivelmente a formação de tumores", alerta o cientista.
Ele explica que a irradiação solar tem vários componentes, ou comprimentos de onda: o que enxergamos (luz visível), e uma série de componentes que nossos olhos não captam, como os ultravioletas. "Os bons filtros solares encontrados hoje no mercado nos protegem contra radiação solar ultravioleta (UVA e UVB), mas não contra a radiação visível. É um equívoco considerar que a exposição à luz visível seja segura para a saúde da pele," adverte Baptista.
Sol na medida certa
Segundo o pesquisador, proteger a pele humana da exposição ao Sol é uma questão complexa que envolve aspectos ainda pouco claros da interação entre a luz e o tecido biológico.
"O ideal parece ser a velha receita de se expor ao Sol por pouco tempo sem proteção externa, pois nesse caso obtemos os benefícios do Sol, por exemplo, ativação da vitamina D, sem sofrermos os riscos que a exposição prolongada oferece, mesmo com a utilização dos filtros solares atuais", afirmou.
  • Benefícios de tomar Sol superam risco de câncer de pele
Fotossensibilização
O mecanismo de fotossensibilização e geração de espécies reativas por radiação UVA, com efeitos
como fotoenvelhecimento e desenvolvimento de vários tipos de câncer de pele, já era conhecido.
Agora, os pesquisadores avaliaram a toxicidade da luz visível em melanócitos humanos e de murinos, tanto com nível basal quanto com superexpressão de melanina, e demonstraram que a presença de melanina aumenta a fototoxicidade da luz visível. Eles também quantificaram a formação de oxigênio singlete, que seria um dos mecanismos pelos quais ocorrem danos às células.
Esse mecanismo, como explica Baptista, envolve uma reação de transferência de energia da melanina excitada por absorção luminosa para o oxigênio, formando o oxigênio singlete, que ataca principalmente a base nitrogenada guanina, formando derivados potencialmente mutagênicos do DNA. Além da formação do oxigênio singlete, os resultados obtidos pelo grupo também indicam a ocorrência de reações diretas da melanina em estado excitado com o DNA.
Os melanócitos são células localizadas na barreira entre a epiderme e a derme, fundamentais para manter a saúde da pele. Eles produzem a melanina, um pigmento na forma de grânulos responsável pela coloração da pele e pela proteção contra a radiação ultravioleta B (UVB). Na presença de raios UVA e da luz visível, no entanto, a melanina passa a causar danos às células epiteliais.

Protetor solar não oferece proteção total contra câncer de pele

Cientistas britânicos chamaram a atenção da imprensa ao anunciar que os tão recomendados protetores solares não oferecem a proteção que se acreditava contra o câncer de pele.

Para se proteger contra o melanoma, um tipo maligno de câncer de pele, o Dr. Richard Marais e seus colegas recomendam ficar na sombra nos horários de sol forte, usar chapéus e roupas folgadas.
De acordo com o Dr. Marais, apesar de tudo indicar que o melanoma está associado aos raios ultravioleta do Sol, os cientistas não sabem quase nada sobre como isso acontece, ou seja, sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.
Fazendo experimentos em animais, ele verificou que os raios UV causaram problemas no gene p53, que se acredita ser o agente protetor da pele contra efeitos de falhas induzidas ao DNA.
Na verdade, o gene p53 - uma proteína citoplasmática produzida pela própria célula - está envolvido em aproximadamente 50% de todos os tumores humanos, o que o torna o gene mais alterado nos diversos tipos de câncer, e não apenas no câncer de pele.
Usando o protetor solar, os animais tiveram uma menor incidência de falhas no gene p53, mas não uma eliminação total dos danos induzidos pelos raios ultravioleta.
"Acima de tudo, este estudo traz provas de que os protetores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV," disse o pesquisador em uma nota emitida pela Universidade de Manchester, onde o estudo foi realizado.
Sem surpresas
Na verdade, o alerta feito pelo cientista já consta das recomendações feitas pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer).
Segundo o órgão, além de evitar a exposição ao Sol no horário das 10h às 16h, "recomenda-se a utilização de proteção como chapéu, guarda-sol, óculos escuros e filtros solares com fator de proteção 15 ou superior".
O INCA também esclarece outros fatores de risco para o câncer de pele: "história prévia de câncer de pele, história familiar de melanoma, nevo congênito (pinta escura), maturidade (após 15 anos de idade a propensão para este tipo de câncer aumenta), xeroderma pigmentoso (doença congênita que se caracteriza pela intolerância total da pele ao sol, com queimaduras externas, lesões crônicas e tumores múltiplos) e nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações celulares pré-cancerosas)".
Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a 25% de todos os tumores malignos registrados no País, o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas da pele, apesar de ser o mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase.
Fonte: Diário da Saúde