sábado, 17 de janeiro de 2015

Agora em janeiro começam os impostos...

O que é IPTU:
É um dos impostos que são cobrados em janeiro dos proprietários de imóveis

IPTU é a sigla para Imposto Predial e Territorial Urbano, que é um imposto brasileiro que cabe a cada pessoa que possui uma propriedade urbana, como um apartamento, sala comercial ou uma casa. O IPTU consta na Constituição Federal, e serve tanto para pessoas jurídicas, como pessoas físicas.
O objetivo principal do IPTU é basicamente fiscal, ou seja, obter recursos financeiros para o Governo, mas também pode ser um meio para controlar os preços das propriedades. As pessoas que não moram na cidade, e sim em propriedades rurais, também pagam imposto, o ITR, que significa Imposto Territorial Rural.
Em alguns estados, geralmente os menores, o IPTU é a principal  origem das verbas.

A base de cálculo do IPTU é o valor do imóvel sobre o imposto pago por ele, o valor em dinheiro e à vista. A alíquota utilizada para calcular o IPTU é estabelecida pelo legislador de cada município, e pode variar conforme os estados.

1- O que é?

O IPTU é um tributo que incide sobre a propriedade imobiliária, incluindo todos os tipos de imóveis – residências, prédios comerciais e industriais, terrenos e chácaras de recreio.

2- Qual é o fato gerador?

O fato gerador do IPTU é a propriedade predial e territorial, assim como o seu domínio útil e a posse.

3- Qual é a base de cálculo do IPTU?

A base de cálculo do IPTU é o valor venal do imóvel.

4- O que é valor venal?

Pela legislação, o valor venal é o valor pelo qual um bem é comercializado, com pagamento à vista, em condições normais de mercado.
5- O que é considerado para o cálculo do valor venal de um imóvel?
São quatro fatores:

    a- O tamanho do terreno, 

    b. A localização deste terreno na Planta Genérica de Valores, 

    c. A sua área construída, 

4. A sua qualificação, ou seja, o tipo de acabamento desta construção.
6- Como se calcula o IPTU?
O IPTU é calculado através da multiplicação do valor venal do imóvel pela respectiva alíquota, que é definida pela Lei Municipal .
7- O que é alíquota?
Alíquota é um percentual definido em lei, que aplicado sobre a base de cálculo, no caso o valor venal, chega-se ao valor do imposto.

8-Quem paga o IPTU?

O pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) é de responsabilidade do proprietário do imóvel, de acordo com a determinação da Lei do Inquilinato.



Fonte: Prefeitura de São Carlos, SP 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Falta de sono gera alterações dramáticas no corpo



Falta de sono

Pesquisadores fizeram novas revelações sobre como noites mal dormidas podem causar efeitos prejudiciais "dramáticos" à saúde e ao funcionamento do corpo humano.

Doenças cardíacas,diabetes, obesidade, baixo desempenho cognitivo, problemas cerebrais e até baixo desempenho sexual são alguns dos problemas ligados a poucas horas de sono.            
                                                               

Distúrbios que impedem as pessoas de terem uma noite de sono saudável podem ter consequências mentais e físicas muito sérias, incluindo queda na imunidade e no desempenho cognitivo.
Além disso, pesquisas mostram que dormir bem torna as pessoas mais atraentes.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Surrey (Inglaterra), a atividade de centenas de genes foi alterada quando as pessoas estudadas dormiram menos de seis horas por dia durante uma semana.

Os cientistas analisaram o sangue de 26 pessoas depois que elas tiveram uma longa noite de sono, até dez horas por noite durante uma semana, e compararam os resultados com amostras coletadas depois de uma semana com menos de seis horas por noite.
                                                                 


Sono e genes
Mais de 700 genes foram alterados pela mudança. Cada gene traz instruções para a construção de uma proteína. Os que ficaram mais ativos produziram mais proteínas, mudando a química do corpo.

O funcionamento do relógio biológico também foi perturbado com a mudança. As atividades de alguns genes, no decorrer do dia, aumentam e diminuem naturalmente, mas este efeito foi prejudicado pela falta de sono.

"O sono  tem uma importância crítica para a reconstrução do  corpo e a manutenção do estado funcional, todos os tipo de de danos parecem ocorrer (devido à falta de sono), sugerindo que pode levar a problemas de saúde," disse o professor Colin Smith, um dos autores do estudo.



"Se não conseguimos regenerar e substituir células, então, isto vai levar a doenças degenerativas", acrescentou.


Fonte: BBC

Canabidiol poderá ser utilizado na medicina brasileira

Anvisa decide retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proibido

Obtenção de medicamentos com a substância será facilitada no país. Substância química é encontrada na maconha e tem utilidade terapêutica.

Por Isabella Calzolari 
Atualmente, medicamento com canabidiol necessita de autorização especial da Anvisa. Agência retirou substância da lista de proibidas (Foto: Reprodução/TV TEM)

O que é o canabidiol (CBD)?
É uma substância química encontrada na maconha que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas. Medicamentos comercializados no exterior já utilizam a substância derivada da Cannabis sativa.
Para quais tipos de tratamento é usado?
Pacientes utilizam o canabidiol para alívio de crises epilépticas, esclerose múltipla, câncer e dores neuropáticas (associadas a doenças que afetam o Sistema Nervoso Central).
Como é o processo atual?
Segundo a Anvisa, o canabidiol está inserido na Lista de substâncias uso proscrito no Brasil, chamada de F2, por ser derivado da Cannabis sativa, nome científico da maconha. Interessados em importar remédios com a droga têm que apresentar prescrição médica e uma lista de documentos para a Anvisa, que serão avaliados pelo diretor da agência. Ele dará uma autorização especial, que demora, em média, uma semana para ser liberada.


Mesmo com a reclassificação do canabidiol, sua importação continuará sendo controlada pela Anvisa, mas a substância perde a 'tarja' oficial de ilegalidade.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta quarta-feira (14) retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito.

A medida foi aprovada pela Diretoria Colegiada da agência durante reunião em Brasília. Com ela, abre-se o caminho para que a comercialização de medicamentos com a substância seja facilitada no país. Antes, a venda do produto com a substância classificada como proibida era vetada.

Agora, as empresas interessadas poderão produzir e vender derivados de canabidiol após a obtenção de um registro da Anvisa. Há menos de um mês, uma empresa europeia entrou com um pedido para vender medicamentos com a substância, mas ele ainda está em análise e não há prazo para ser concluído. A aquisição do produto deverá ocorrer de forma controlada, com a exigência de receita médica de duas vias.

A agência também vai criar uma ordem de serviço em regime especial para regulamentar a importação dos remédios com a substância, que continuará pecisando de autorização para ser feita. A resolução ainda não está pronta. Com ela, deve haver uma flexibilização da importação. Segundo Jaime Oliveira, medicamentos já conhecidos pela Anvisa que contêm a substância serão autorizados mais rapidamente do que medicamentos desconhecidos, que precisarão de uma maior análise.

O canabidiol é uma substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas.

O diretor-presidente da Anvisa, Jaime Oliveira, votou pela liberação do uso do canabidiol, mas com controle e com a permanência da necessidade de autorização de importação pela Anvisa. "A reclassificação, por si só, em nada altera o quadro de necessidade excepcional de autorização da Anvisa. Os produtos importados não são só compostos de canabidiol", disse.

De acordo com o diretor-presidente, estudos científicos mostraram que o canabidiol não traz dependência. "Portanto não há razões para que ela [a substância] permaneça proibida. Apesar dos relatos bibliográficos, a avaliação nao teve objetivo de comprovar a eficácia do canabidiol e sim o risco de desvios e seu potencial para causar dependência."
saiba mais
  • Decisão do CFM de liberar canabidiol é publicada no Diário Oficial
  • Conselho Federal de Medicina libera uso de composto da maconha
  • Morre bebê que esperava liberação de remédio derivado da maconha
  • Anvisa estuda facilitar importação de remédios feitos à base de maconha
  • Justiça autoriza família a importar remédio derivado da maconha
Ivo Bucaresky, membro da diretoria colegiada, disse que, em curto prazo, pode parecer que a decisão não mudará muita coisa, mas há um efeito simbólico e prático. "Além de mostrar que não é algo ilegal que está sendo feito, que o médico não está impedido de prescrever, vai permitir que saia essa tarja de ilegalidade, que está sendo feito algo proibido", afirmou.

Segundo Bucaresky, a decisão também será importante para as pesquisas científicas no Brasil. "O efeito prático primeiro é na academia. Vai facilitar as pesquisas e os debates na academia. Outro ponto que vi muito é o acesso. Hoje consegue trazer [o remédio] quem tem estrutura econômica e muitas famílias têm dificuldades de ter acesso."

De acordo com a Anvisa, o órgão recebeu nea última terça-feira 374 pedidos de importação da substância para uso pessoal, por meio do pedido excepcional de importação de medicamentos de controle especial e sem registro no Brasil. Desse total, 336 foram autorizados, 20 aguardam o cumprimento de exigência pelos interessados e 11 estão em análise pela área técnica.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou uma nota na qual elogiou a decisão da Anvisa, considerando-a como um "reconhecimento ao pedido de inúmeras famílias que buscaram na Justiça o direito ao tratamento".

Apelo de pais
Durante a reunião, Katiele Fischer e Norberto Fischer, pais de Anny, de 6 anos, portadora da rara síndrome CDKL5, fizeram um apelo aos membros da diretoria colegiada. Anny tem uma doença genética que provoca deficiência neurológica grave e grande quantidade de convulsões. Em 3 de abril do ano passado, o casal obteve, na Justiça, autorização para importar o canabidiol.

"A reclassificação é fruto de um apelo social. Não é uma decisão política. Isso é uma decisão técnica da equipe da Anvisa com esse apoio popular", afirmou Norberto Fischer. "Com a reclassificação o aspecto sociológico da sociedade vai mudar. A sociedade começa a acreditar que essa substância não é algo ruim."

Conselho Federal de Medicina
Em dezembro do ano passado, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso do canabidiol no tratamento de crianças e adolescentes que sejam resistentes aos tratamentos convencionais. A prescrição é restrita a neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras.

Segundo a entidade, os médicos autorizados a prescrever a substância deverão ser previamente cadastrados em uma plataforma online. Já os pacientes serão acompanhados por meio de relatórios frequentes feitos pelos profissionais.

Pela norma, pacientes ou os responsáveis legais deverão ser informados sobre os riscos e benefícios do uso do canabidiol e, então, assinar o termo de consentimento. Além disso, a decisão do conselho deverá ser revista no prazo de dois anos.

O canabidiol deve ser prescrito a pacientes de epilepsia ou que sofram de convulsões que não tiveram melhoras no quadro clínico após passar por tratamentos convencionais.

De acordo com o conselho, o uso da substância deve ser restrito a crianças e adolescentes menores de 18 anos – mas quem eventualmente use o medicamento antes dessa idade pode continuar o tratamento mesmo após ficar maior de idade.


As doses variam de 2,5 miligramas diários por quilo de peso do paciente a até 25 miligramas, dependendo do caso. A estimativa do conselho é que o limite diário total fique entre 200 miligramas e 300 miligramas por paciente.

Fonte: g1.com

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Em São Paulo, Chalita, agora do PMDB é o novo secretário de educação

PT: DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO À PEDAGOGIA DO AMOR
A alteração do Secretário de Educação do município de São Paulo se confirmou nesta terça-feira, 13/01, com a publicação no Diário Oficial da exoneração de César Callegari e a nomeação de Gabriel Chalita (PMDB).
A troca, segundo informações da imprensa, vinha sendo articulada há um mês, envolvendo Lula e Temer, e faz parte de uma articulação política para a campanha de 2016, na qual o PMDB assumirá o papel de vice-prefeito na disputa à reeleição de Fernando Haddad.

O jogo político em questão demonstra a pior face das alianças feitas pelo PT para garantir uma vitória eleitoral. Ainda que a presidente tenha anunciado como novo mote de governo: “Brasil, pátria educadora”, o que mais temos visto desde esse curto início de ano é a prioridade na área de educação ser atacada pelos governos petistas. Iniciamos com a nomeação de Cid Gomes (PROS) para o Ministério da Educação. Logo ele, que disse que "os educadores devem trabalhar por amor" e foi um dos cinco governadores que entraram no STF contra a Lei do Piso Salarial do magistério. E que já recebeu de bom grado no Ministério um grande corte orçamentário (o maior de todos) - cerca de 7 bilhões de reais. Agora, na prefeitura de São Paulo, o PT entrega a Secretaria de Educação do município mais rico do país para a administração de Gabriel Chalita, que, lembramos bem, foi secretário de educação do governo estadual na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) entre 2002 e 2006.

A vinda de Chalita para a Secretaria Municipal de Educação é simbólica. Reafirma que as políticas educacionais de dois partidos que se dizem antagônicos (PT e PSDB) alinharam-se de tal maneira que seus governos podem ter o mesmo secretário de educação. Indica que a prioridade na educação está somente no discurso, pois na prática a educação ainda não é tratada como um direito de todos e dever do Estado. E, sobretudo, aponta para um período em que a lógica privatista deve se aprofundar na maior rede de ensino do país.

Podemos usar três exemplos para sustentar as afirmações acima: o primeiro, o programa que foi a menina dos olhos de Gabriel Chalita durante sua gestão na secretaria estadual de educação: a Escola da Família. A proposta, que abria a escola nos finais de semana, usava um discurso de "democratização do espaço e de oportunidades" para maquiar o fato de que o programa funcionava à base de voluntariado, bolsistas, estagiários e oficineiros contratados através de ONGs. Ou seja, uma grande desresponsabilização do Estado em garantir condições de trabalho, salários e a presença de educadores concursados e profissionalizados para sustentar um programa considerado de extrema importância. Implícita, a ideia de que a função de educar institucionalmente poderia ser feita por qualquer pessoa, desde que houvesse "boa vontade".

O segundo exemplo são declarações atuais de Chalita dizendo que para solucionar o problema do déficit de vagas em creches na capital a saída é de “flexibilizar” algumas regras. Vale lembrar que, durante sua campanha para prefeito em 2012, destacou a ideia de usar as faculdades privadas para acomodar as crianças que estão na fila por uma vaga em creche, repassando dinheiro para que essas montassem um espaço para as mesmas. Ou seja, fazer novos tipos de “conveniamento” para o atendimento das crianças pequenas, o que significa recuar ainda mais na qualidade da oferta dessas vagas e engordar financeiramente as empresas do ensino superior. Por fim, deve ser lembrado também que Chalita é investigado em 11 inquéritos por suspeita de corrupção e enriquecimento ilícito, em casos envolvendo licitações enquanto era Secretário Estadual de Educação.

Além da prática política já conhecida, e que tão bem serviu ao modelo PSDBista de governar, Gabriel Chalita já deu inúmeras declarações que revelam sua visão privatista e meritocrática da área educacional. Compreende a educação fora do espaço político, no seu significado mais amplo, que é o da coletividade. Não à toa, uma de suas obras tem o sugestivo título "Educação: a solução está no afeto". É lamentável que o novo secretário de educação da cidade de São Paulo não veja que a solução para a educação está sobretudo na maior responsabilização do Estado, na valorização profissional e salarial dos educadores, na melhoria das condições de trabalho, no investimento na autonomia escolar e na gestão democrática.

O PT foi da pedagogia do oprimido de Paulo Freire, secretário de educação de Luisa Erundina, parra a "pedagogia do amor", do ex-tucano Gabriel Chalita. Um retrocesso brutal.

Onde estão os petistas que tem tradição na defesa da educação pública gratuita e de qualidade, que denunciavam a privatização e o sucateamento do ensino? Esse vergonhoso silêncio não pode continuar em nome da governabilidade conservadora.
Entendemos que teremos pela frente um período de lutas e mobilização para fazer o enfrentamento necessário. Nosso mandato acompanhará esse novo período e se fará sempre presente na luta e na defesa de uma educação pública, gratuita, estatal, laica e de qualidade para todos.
Fonte: facebook/Ivan Valente

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ladeira do amendoim, um novo desafio





Na Ladeira do Amendoim, um ponto turístico  em São Thomé das Letras, um desafio enfrentado por Irineu e Vanessa, um casal de turistas, que resolveu fazer um teste na Ladeira do Amendoim. Eles trouxeram desta vez um patinete para ver se ele anda sozinho como o carro... Veja a surpresa...  



Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie

por Leonardo Boff

"Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. 
Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassianto. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. 
Publico aqui um texto do padre Antonio Piber, que é teólogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: 
Leonardo Boff
"Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…
Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…
A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.
Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…

Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?
Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pessoas e duas medidas caos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.
Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). 
Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). 
A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. 
Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus…

Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.
“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é
extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie."

Resultado das provas no enem: confira

Mais de 500 mil estudantes tiraram zero na prova de redação do Enem, realizado no ano passado. "Lamentável", se o estudante soubesse a finalidade da leitura, que é lendo jornal, literatura é que se aprende a compreender o que se escreve. Interpretação de texto e o português correto.
As notas individuais foram divulgadas nesta terça-feira (13).
O MEC informou que detectou vários ataques de hackers ao site do Inep e isso atrasou a divulgação das notas.
Confira as notas do Enem 2014
No ano passado, mais de seis milhões de estudantes fizeram a prova. As notas da redação chamaram a atenção. Mais de 500 mil estudantes tiraram zero. Em 2013, foram 106 mil. Apenas 250 obtiveram a nota máxima. No Enem anterior, quase o dobro. Na média geral, as notas caíram 1% em relação a 2013. As quedas mais acentuadas foram em Matemática, 7,3%, e redação: quase 10%. A média de Ciências Humanas; Ciências da Natureza e Linguagens subiram.
O ministro da Educação disse que a qualidade do ensino e o tema da redação, publicidade infantil, tornaram a prova mais difícil para os estudantes.
“O brasileiro está lendo muito pouco . Os estudantes também estão lendo muito pouco, em função do acesso fácil a internet. O estudante não pensa mais, tem alguma pesquisa para fazer, vai até o google, pesquisa,  imprime e  não tem o hábito de ler o que pesquisou. Não dá para a gente fugir, não dá para a gente camuflar ou tentar dizer que o ensino público brasileiro é bom”, afirma Cid Gomes, ministro da Educação.
Para o especialista Remi Castioni, o ensino médio está distante da realidade.
"O jovem não tem relação alguma da forma como vai utilizá-los no dia a dia. Então, não sabe porquê está estudando determinados conteúdos. E, na maioria das vezes, é obrigado a decorar aqueles conteúdos e não sabe como os vai aplicar", destaca Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação/UNB.
A nota do Enem permite aos estudantes tentar uma vaga em universidades públicas, por meio do Sisu, Sistema de Seleção Unificada. Este ano, serão oferecidas 205 mil vagas. As inscrições serão abertas no dia 19 de janeiro. Além disso, eles podem se candidatar ao financiamento estudantil e a bolsas em instituições de ensino privadas, por meio do ProUni, que vai abrir o processo de seleção no dia 26 de janeiro.