A maior tragédia ambiental em Minas Gerais, no Brasil foi no mesmo dia do ataque terrorista na França, talvez por isso, no Facebook colocavam a bandeira da França em solidariedade ao acontecido em Paris, França.
Documento da promotoria descarta abalo sísmico registrado no dia do desastre como o causador da ruína da estrutura
Documento da promotoria descarta abalo sísmico registrado no dia do desastre como o causador da ruína da estrutura
"O
relatório final do Ministério Público do Estado de Minas Gerais
(MP-MG) sobre as causas do desmoronamento da barragem da Samarco em
Mariana, em 5 de novembro do ano passado, aponta que uma construção
na parte da frente da represa aliada a alteamentos (ampliações) sem
controle provocou o desmoronamento da obra. O vazamento de resíduos
de mineração de ferro da barragem causaram 19 mortes e um desastre
ambiental ainda sem precedentes.
As investigações técnicas do MP foram feitas em parceria com as empresas Geomecânica e Norwegian Geotechnical Institute (NGI). Na perícia, observou-se que o chamado “recuo na face da barragem” foi realizado em 2013 para possibilitar reparos em galerias da represa que apresentavam problemas de vazamento. Em seguida, a mineradora promoveu elevações para aumentar o armazenamento, desestabilizando toda a estrutura. O recuo não estava previsto no projeto original da barragem, segundo afirma o MP.
Sobre as obras para aumento da capacidade da represa, o relatório afirma que a velocidade de alteamento, entre 30 de julho e 2014 e 26 de outubro de 2015, foi de 12,3 metros por ano. A taxa recomendada para o setor é entre 4,6 metros e 9,1 metros por ano.
Conforme
as análises, “desde o início da operação [em 2008] a barragem
apresentou constantes ocorrências de surgências [vazamentos],
principalmente na ombreira direita [parte frontal da represa], além
de outros problemas de drenagem variados”. O relatório parcial da
Polícia Federal, de janeiro, também apurava como causa do
rompimento o alteamento.
Mas ao mesmo tempo o governo do estado de Minas autoriza
Terremoto –
As investigações descartam a possibilidade de um pequeno abalo
sísmico, registrado no dia da queda da barragem, ter provocado o
rompimento, como cogitou a cúpula da Samarco. “As análises da
resposta dinâmica da barragem aos carregamentos provocados pelos
terremotos (…), às vibrações de explosivos utilizados horas
antes e às vibrações produzidas pelas máquinas (…) indicam que
esses fatores não geraram quaisquer tensões ou deformações
dinâmicas.” Essas interferências também não seriam capazes de
causar a chamada “liquefação dinâmica”: aumento no volume de
água na lama de rejeitos da represa.
O relatório conclui que
a represa da Samarco em Mariana “apresentou baixa performance e um
grande número de falhas e mudanças desde o início da sua operação
(…), tendo sido, portanto, uma estrutura de alto risco”.
Recomenda-se também que os resultados sirvam de base para aprimorar
as técnicas usuais, reformular normas, códigos e leis para que as
barragens de rejeito “não só no Brasil, mas no mundo, sejam mais
seguras e sustentáveis”.
O relatório foi entregue
nessa quinta-feira pelo promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto à
Comissão Extraordinária de Barragens da Assembleia Legislativa de
Minas Gerais. “Mais que apontar responsabilidades, o que se quer é
que, com o relatório, sejam apontadas formas para não deixar que se
repita a tragédia ocorrida em Mariana”, afirmou o promotor. A
comissão da Assembleia deverá ter seu próprio relatório votado em
7 de julho, conforme expectativa do relator Rogério Correia (PT)."
(Com Estadão
Conteúdo) / Veja.com
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