“Porque está lá.”.
George Mallory
Em Primeiro de Maio de 1999, o corpo do alpinista inglês George Mallory foi
encontrado no monte Everest. Mallory, juntamente com seu amigo e colega
de expedição Sandy Irvine, desapareceu em 1924, quando buscava alcançar
o pico da maior montanha da Terra. Após identificarem o corpo, a equipe
responsável pela descoberta fez um funeral e enterrou o corpo, após 75
anos de mistério. Até o momento em que escrevo estas linhas, o corpo
de Irvine ainda não foi encontrado.
Mallory conheceu o alpinismo quando ainda estava na escola.
Apaixonou-se pelo esporte e mostrou enorme habilidade para escaladas.
Mesmo depois de tornar-se professor, continuou a se aprimorar na arte de
conquistar montanhas, tornando-se conhecido em seu país por alcançar o topo
de montanhas como o Monte Branco, na Suíça, com 4,8 mil metros de altura.
Casou-se em 1914 com a mulher que amava, Ruth Turner, e com o início da
Primeira Guerra Mundial, alistou-se no exército britânico, combatendo nos
campos de batalha na França. Com o final da guerra, o pacifista Mallory
retornou em definitivo para a Inglaterra e para os braços da esposa e
das duas filhas que tivera até então, encontrou uma ocupação de professor
de História e voltou ao montanhismo.
Até que foi convidado para uma expedição de reconhecimento ao monte
Everest, em 1921. Imponente, desafiante, impávida em sua grandeza.
O topo da montanha mais alta do mundo tornou-se o sonho de todo alpinista,
e dentre eles, estava Mallory, considerado por muitos o melhor alpinista do
mundo aquela época. Já na expedição de 1921, o montanhista inglês efetuou
explorações no local para encontrar um caminho que levasse até o topo.
O grupo alcançou 6,8 mil metros de altura – uma façanha na época – e
confiantes de que tinham uma rota para alcançar o cume da imponente
montanha. Em 1922, o grupo retornou à montanha com o intuito de alcançar
o teto do mundo e chegaram à incríveis 8,2 mil metros de altitude, mas
foram derrotados pelas condições climáticas. Sete integrantes da equipe
morreram em uma avalanche.
Mallory não desistiu, e iniciou o planejamento de um novo grupo para alcançar o
topo em definitivo. Quando perguntado por um repórter do jornal The New York
Times sobre o motivo pelo qual ele desejava escalar o monte Everest, Mallory
respondeu: “Porque está lá... o Everest é a montanha mais alta do mundo, e
nenhum homem alcançou o seu cume. Sua existência é um desafio. A resposta
é instintiva, uma parte, suponho, do desejo humano de conquistar o Universo.”.
A resposta de Mallory é conhecida por todo montanhista, e a provável resposta
que alguém ouvirá do praticante deste esporte caso pergunte do motivo pelo qual
arrisca sua vida para alcançar o topo de montanhas. Subimos montanhas porque
elas estão lá. Simples e profundo.
Todos nós temos montanhas para escalar. Dentro e fora de nós, elas surgem.
Algumas montanhas estão na forma de gigantescos amontoados de rocha,
tão altas que os cumes mal podem ser avistados. Mas as montanhas aparecem
em outras formas.
Surgem nos desafios da vida. Na permanente impermanência das coisas, no
imponderável que atravessa nossos caminhos e desvia nossa rota. Nos boletos
a pagar, nas dietas a se manter. É a montanha de se mudar um hábito antigo,
de se despedir de ente querido. Montanhas que podem parecer fáceis de vencer
para alguns, e para outros são muralhas intransponíveis.
Não importa o tamanho, todos temos Montanhas a conquistar. Desafios que se
colocam entre nós e um sentimento de transcendência, que nos provocam e rindo,
nos dizem: “você não é bom? Por que não me conquista?”.
E quando aceitamos o desafio, descobrimos o preço a se pagar para encarar
aquela montanha debochada, que fica nos provocando. Este preço é a renúncia.
O preço para se entrar no jogo é renunciar a tudo aquilo que nos desvia do cume,
o objetivo tão desejado.
Para Mallory, o preço foi deixar a esposa, três filhos e uma vida segura. Para
aqueles que enfrentam o desafio de uma dieta, o preço é deixar de saborear
alimentos ou momentos que lhe dão prazer e satisfação. Para aqueles que
enfrentam o desafio de terminar os estudos, o preço é o afastamento de
amizades e de outras atividades.
Alcançar picos demanda renúncias. E o simples fato de renunciar não significa
garantia de sucesso, como o caso de Mallory nos mostrou. É o valor do ingresso
para estar no jogo. A satisfação não é garantida.
Vivenciando meu próprio processo de mudanças e de renúncias necessárias
para alcançar o pico do meu Everest particular, lembro-me de Mallory e de sua
frase imortal. Poderia sim, ficar sentado no pé de minha montanha, flertando com
a altura que desejo alcançar, vivendo uma espécie de amor platônico por um
sonho. É uma escolha válida e legítima. Mas minha montanha ficaria ali,
olhando-me, sempre me lembrando que eu não quis, sequer, ter buscado
escalá-la.
Começo a fazer as renúncias, sentindo os riscos e as borboletas que se formam
em minha barriga a cada passo. Por que estou fazendo o que faço? Por que
abro mão de tantas coisas que milhares de pessoas fariam de tudo para alcançar
por causa de um sonho? “Porque está lá”.
E exercitando o poder da renúncia, deixando de lado o que poderia desviar-me
de meus sonhos mais amados, exército também o valor que permite que as
montanhas mais altas sejam conquistadas: a Dedicação.
Maurício Luz |
1º Belmiro Siqueira de Administração – em 1996, na categoria monografia, com o tema “O Cliente em Primeiro Lugar”.
E o 2ºBelmiro Siqueira em 2008, com o tema “Desenvolvimento Sustentável: Desafios e Oportunidades Para a Ciência da Administração”..
Ex-integrante da Comissão de Desenvolvimento Sustentável do Conselho de Administração RJ.
Com experiência em empresas como SmithKline Beecham (atual Glaxo SmithKline), Lojas Americanas e Petrobras Distribuidora, ocupando cargos de liderança de equipes voltadas ao atendimento ao cliente.
Maurício Luz é empresário, palestrante e Professor. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997).
Mestre em Administração de Empresas pelo Ibmec (2005). Formação em Liderança por Condor Blanco Internacional (2012).
Formação em Coach pela IFICCoach (2018). Certificado como Conscious Business Change Agent pelo Conscious Business Innerprise (2019).
Atualmente em processo de certificação em consultor de Negócios Conscientes por Conscious Business Journey.
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